Segundo o IBGE, há mais de 5 milhões e 700 mil Josés espalhados pelo Brasil, conforme o Censo de 2010.
Com mais de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados de território, a matemática indicaria uma densidade demográfica de 0,675749928242812 Josés por quilômetro quadrado — ou seja, pouco mais de meio José por quilômetro. Mas, sinceramente, duvido dessa conta. Por me chamar José, sei que dificilmente sou o único no ambiente.
José é sempre plural.
Já contei sobre o dia em que fui a um restaurante famoso pela galinha caipira. Cheguei cedo e fui o primeiro a me inscrever na lista de espera. Pedi para que anotassem “José Carlos”, mas o atendente colocou só “José”. Resultado: quando chamaram o pedido, apareceram seis Josés. Perdi a prioridade para os homônimos.
Na aula de Pilates sou o “Outro seu José”. Em uma associação da qual faço parte, há dois José Carlos. Somos oficialmente José Carlos I e II — com algarismos romanos! Mas nem isso evita confusão.
Hoje cedo fui fazer exames de rotina num laboratório que estava lotado. A chamada foi feita pela ordem de chegada e não observando qualquer prioridade prevista em lei. De bom humor, não reclamei minhas prerrogativas de velho.
Depois, chegou outro senhor — também José, idoso e apoiado por muletas. Andava impaciente de um lado para outro até que foi até a recepcionista, que parou tudo e entrou no laboratório. Em seguida, a técnica apareceu e anunciou em voz alta:
— Vamos lá, seu José!
Eu perguntei:
— José de quê?
Ela olhou os papéis e respondeu:
— Só está como José… Pera aí… É José Junior. José ‘Ésse’ Junior!
Mostrei meu comprovante, onde consta “José S. Junior”. Era eu. Meu xará não gostou nem um pouco.
A técnica se virou para a colega e pediu:
— Chama o outro José em seguida, tá?
A colega perguntou:
— Por quê?
— Ué, ele está com muleta, sei lá…
É isso que dá quando os pais não têm imaginação. Se um de nós se chamasse Joélisson, não haveria confusão.
[Crônica CVIII/2025]

