
Uma biblioteca improvável em uma padaria (Imagem criada por IA Copilot/Microsoft / Edição BN JCarlos)
Quem acompanha meus escritos deve ter notado que gosto de ler livros em qualquer formato, mas dou preferência a obras físicas, palpáveis e cheiráveis. Não precisa ter gravura, mas o autor precisa fazer com que eu imagine os cenários que descreve.
Aplaudo sempre as iniciativas públicas e particulares que buscam aumentar o número de leitores, especialmente nessa época em que todos querem tudo na hora, já devidamente mastigado e digerido, para facilitar a absorção. A maioria anda com preguiça mental.
Na semana passada, fui a uma padaria aqui perto e encontrei, sobre uma bancada, livros disponíveis para empréstimo. Fui logo conversar com o proprietário, Jacques, para parabenizá-lo. Ele disse que, naquela ocasião, já havia emprestado 15 livros a fregueses. Entusiasmado, ele contou sobre a iniciativa:
— Nós emprestamos por até 30 dias — você sabe como é, as pessoas leem devagar — e o prazo pode ser prorrogado, se não houver outro interessado. Para fazer o empréstimo, basta informar o nome e o telefone para a funcionária do caixa, que também anota o título da obra. É só o mesmo para saber qual livro está emprestado.
Jacques disse que a maioria dos livros disponíveis são de autoajuda, mas também há romances. No dia em que estive lá , havia volumes do autor norte-americano Nicholas Sparks, que — fiquei sabendo — tem diversos best-sellers, alguns já adaptados para o cinema. A temática comum é o amor e suas consequências.
No estacionamento
Ainda sob o tema da leitura, meses atrás fui deixar alguns livros que já havia lido — e que não serviriam mais para minhas pesquisas aleatórias — em um posto de trocas instalado em um dos supermercados aqui de São José.
Mal deixei os volumes na caixa e se aproximou uma senhora que vende a “Trimania”, uma loteria disfarçada de “título de capitalização”. Ela começou a folhear os livros, lendo as contracapas para saber do que se tratavam. Reclamou que as pessoas costumam deixar muitos livros didáticos por lá, ou que não servem para ela .
Ofereci minha consultoria técnica à dona Eneida, explicando o conteúdo de cada um dos livros que eu estava “doando”. Ela me disse que lê, pelo menos, dois livros por mês e que não tem preferência por tema.
— Eu prefiro aqueles que são mais simples de entender… Gosto do Paulo Coelho, do Drummond, do Jorge Amado. Comecei a ler no colégio… Eu gostei mais de ler do que de namorar… Hoje é para passar o tempo, quando canso de mexer no celular.
Elogiei dona Eneida e voltei para casa contente. É mais uma alma — junto com o Jacques — que não vai ficar muito tempo no purgatório!
[Crônica CV/2025]


