Pedro Raimundo era frequentador assíduo da casa de cita de Las Palomas desde os 14 anos, quando chegou com a família paranaense ao Paraguai. O pai trabalhava em uma estância a 20 quilômetros do bordel.
Toda sexta-feira, às seis em ponto, ele chegava, guardava a bicicleta, tomava uma talagada de caña, pegava uma mulher que estivesse disponível e só saía do quarto na tarde de domingo. Pagava as despesas e prometia voltar na próxima semana.
Já perto dos 30 anos, Pedro Raimundo começou a sentir um desconforto no pênis. A situação o tornou indesejável, agora as mulheres se recusavam a prestar serviços a ele, mesmo com a promessa de pagamento em dobro. Foi esse jejum forçado que obrigou Pedro a ir à cidade procurar ajuda, não de um farmacêutico como era habitual, mas de um médico.
Dezenas de exames e o diagnóstico terrível: a complicação de quatro doenças venéreas não tratadas evoluíram para uma situação em que a melhor alternativa seria a amputação do pênis, caso contrário, o mal se espalharia pelo corpo todo e a morte era só questão de dias.
Triste, sem saber o que seria da sua vida, abriu o coração para uma chinoca, a Jorja, que chegou a casa há pouco tempo. Ela se ofereceu a cuidar dele se ele cobrisse o valor dos programas que deixaria de fazer. Pedro também teria que “indenizar” o dono do bordel que contava com a melhora do movimento com a chegada da portuguesa paraguaia.
Se casaram no cartório da cidade e tudo corria bem – dentro do possível – até o dia em que Jorja resolveu que queria engravidar. Impossibilitado de atender o desejo da companheira, Pedro Raimundo comentou o assunto com o patrão, que o consolou.
– Pedro, para tudo se dá um jeito…
– Mas eu sou capado, patrão!
– Deixe de besteira. Você já ouviu falar de inseminação artificial, como os ganadeiros fazem? Pois é, vá trabalhar para ocupar a cabeça, reze bastante e depois a gente vê como resolver isso.
Coincidência ou milagre – promessas à Virgen de Caacupé – Nuestra Señora de los Milagros – a padroeira do Paraguai – pouco tempo depois Jorja apareceu grávida e deu a luz a um menino, o primeiro de três, todos batizados como filhos do Pedro Raimundo, mas que eram a cara do patrão.
[Crônica CI/2025]

