27 de maio de 2025

Itajaí no domingo: tentativa frustrada de turismo

Por José Carlos Sá

Acompanhei Marcela a um compromisso em Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. Tinha a manhã de domingo livre para explorar a cidade, mas, entre os locais da minha lista, só consegui visitar a Catedral do Santíssimo Sacramento — recomendação do padre David Coelho, pároco da Catedral Metropolitana de Florianópolis, que a considera uma das mais belas igrejas do estado.

Também queria conhecer o museu e a casa de cultura, mas ambos estavam fechados. Curioso para um município turístico, conhecido como “rota dos cruzeiros”, como já li em várias publicações.

O Mercado Público é uma praça de alimentação chique (Foto JCarlos)

Quando fiz a foto, ainda não tinha começado a função (Foto JCarlos)

Ainda fui ao antigo Mercado Público, esperando encontrar um mercado propriamente dito. Mas era, na verdade, uma praça de alimentação com diversos restaurantes no prédio do antigo mercado público. Não há um mercado moderno, apenas o Mercado do Peixe, que, para completar, também estava fechado.

Outra porta trancada foi a da Igrejinha da Imaculada, também conhecida como “Matriz Velha”. A história desse templo é tão interessante que vale contar mais adiante.

Mas também, que mania! Querer visitar pontos turísticos em pleno domingo… Pensamento típico de quem não tem o que fazer!

A catedral nova

Igreja do Santíssimo Sacramento, construída em estilo gótico, porém com adendos (Foto JCarlos)

“Imponente” é um bom adjetivo para descrever a Catedral do Santíssimo Sacramento, já comparada a um castelo medieval — apesar do estilo variado. O projeto original, assinado pelo engenheiro-arquiteto alemão Simon Gramlich, sofreu modificações ao longo da construção, iniciada em 1941 e concluída em 1955.

A professora e arquiteta Angelina Wittmann, em seu blogue, escreveu: “A arquitetura da nova igreja de Itajaí tem a linguagem eclética, com traços do gótico e do romântico, entre outros,” refletindo as alterações feitas durante a obra, à revelia do projeto inicial.

Mas deixando de lado os detalhes técnicos — que o leigo não nota —, a igreja é belíssima. Fiz um esforço enorme para prestar atenção à missa, em vez de ficar admirando as pinturas, esculturas e vitrais.

A igrejinha velha

Igreja Imaculada Conceição, fechada por preservação (Foto JCarlos)

A história conta que a primeira igreja de Itajaí foi uma simples construção de pau-a-pique, erguida em fevereiro de 1824. Chamavam-na “Casinha de Nossa Senhora”. A imagem foi doada por um casal e era talhada em madeira, vinda de Portugal. Poucos meses depois, iniciaram a construção de uma nova capela, com um cemitério anexo.

Em 1843, começou uma campanha de arrecadação para erguer outra capela, pois a antiga havia perdido uma parede que desmoronou. Fizeram remendos, mas a situação ficou tão crítica que o padre passou a celebrar as missas em sua casa, para evitar tragédias. O fim da igreja veio em 1851, quando a estrutura entrou em colapso e desabou completamente.

No ano seguinte, começaram a nova capela, finalizada aos poucos. Em 1899, o novo altar-mor foi benzido, e então iniciaram mais uma ampliação, adicionando duas laterais.

Horário de funcionamento (Foto JCarlos)

Mas, quando finalmente tudo ficou nos conformes, decidiram construir a nova catedral. A Igrejinha Velha foi renomeada Imaculada Conceição e hoje é preservada, com missas apenas aos domingos e no dia 8 de cada mês (desde que não caia num sábado ou domingo).

[Crônica LXXXVI/2025]