Pego emprestado a metáfora do título em português de um filme de 1975, originalmente “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, do diretor Milos Forman, para comentar uma notícia que li no G1. No filme, com atuação excepcional do Jack Nicholson, a personagem finge de doido para fugir dos trabalhos forçados a que foi condenado quando preso.
A chamada da notícia diz: “Governo Trump comete falha e adiciona jornalista em um grupo que discute planos de guerra e outros temas ultrassecretos”. O jornalista referido é Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista americana “The Atlantic”, que passou a receber, no aplicativo Signal, mensagens ultrassecretas trocadas entre o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o secretário de Estado, Marco Rubio, entre outros membros do mais alto escalão da Casa Branca.
Acreditando que se tratava de uma brincadeira, Goldberg recebeu uma mensagem com os planos de bombardeio aos rebeldes Houthis, no Iêmen, pouco antes das bombas caírem dia 15 de março sobre a capital daquele país. Claro que ele fez uma reportagem contando para todo mundo essa falha na segurança dos Estados Unidos.
Um estranho no ninho
Quando fui trabalhar na Fiero (Federação das Indústrias de Rondônia), em 1993, e passei a acompanhar o presidente Miguel de Souza aos eventos e compromissos corporativos, eu era apresentado assim: “O Zé é meu assessor agora…” e todo mundo olhava pra mim com a cara de “bem-vindo”; mas Miguel completava “…ele é jornalista e trabalhava no [jornal] Alto Madeira” e as caras mudavam para expressões de desconfiança.
A Fiero, naquele tempo e hoje ainda, tem como base os sindicatos que representam a indústria madeireira, considerada, pelos ambientalistas e pela imprensa em geral, uma das vilãs destruidoras da Amazônia. Naquele tempo, a fama era pior ainda.
Quando diziam que eu era jornalista, havia até quem fizesse menção de sair da sala. Então se garantia que o que fosse dito não seria divulgado e comentado fora. Levei algum tempo para ser olhado sem ‘ressabiamento’, mas nunca conquistei, realmente a confiança de todos, mesmo respeitando a confidencialidade das reuniões a que assisti.
Voltando ao começo, essa é mais uma “vergonha alheia” que o governo de Donald Trump comete. Desse jeito, esse senhor não vai muito longe.
[Crônica XLVII/2025]
*Pipira (Ramphocelus carbo) era o codinome de um informante que compartilhava com esse escriba os mexericos dos bastidores políticos de Rondônia

