18 de março de 2025

Um adeus ao coronel Ferro

Por José Carlos Sá

O coronel Ferro deu baixa da Polícia Militar em 1992. Aqui, participando de um programa da PMRO TV (Reprodução)

Ontem, 17/03, foi um dia de más notícias. Soube, cedo, do falecimento do Luiz Carlos Albuquerque, irmão do amigo Lúcio Albuquerque, que editou, por um tempo, o “Leitura no Ônibus”, uma espécie de almanaque com informações e passatempo que era distribuído aos passageiros nas sofridas viagens no transporte coletivo de Porto Velho (RO). Além disso, era leitor do Banzeiros. 

Também de Porto Velho chegou a notícia do falecimento do coronel (reformado) da PM, Walnir Ferro de Souza, pessoa que eu admiro pela integridade moral. Foi vítima de uma complicação renal e morreu aos 76 anos.

Não tenho a pretensão de escrever um obituário, apenas vou destacar algumas situações que já comentei no blog Banzeiros em anos passados, algumas das quais eu participei. O coronel Ferro nasceu em Guajará-Mirim, na fronteira do Brasil com a Bolívia, filho de um soldado da borracha e depois membro da Guarda Territorial,  seu José Mariano de Souza, que entrevistei, junto com o Lúcio Albuquerque, para o jornal Alto Madeira.

Ferro foi comandante da PMRO de 20 de março de 1991 a 24 de fevereiro de 1992 (Foto da galeria dos ex-comandantes da PMRO/Reprodução)

Ferro “sentou praça” na Guarda Territorial, e com a criação do Estado de Rondônia, migrou para a Polícia Militar. Como sargento, fez curso de oficial e galgou todos os postos, tendo sido o primeiro rondoniense a comandar a corporação. Sofreu discriminação por isso. Os demais oficiais da PM, eram formados nas academias do Exército e por isso o rejeitavam.  

Acompanhei o trabalho dele desde 1987, quando comandou as tropas policiais para retomar a “Ponta do Abunã”, na fronteira do Brasil com a Bolívia e fazendo limite com o Estado do Acre, que foi ocupando informalmente a região, instalando nela postos bancários (Banacre), fiscais, policiais e, o mais importante, um cartório eleitoral.

Transmissão do comando da PMRO do coronel Ferro (esq.) ao coronel Eudes Rosa Cabral, em 24 de fevereiro de 1992. Ao fundo, a primeira dama Hélia Piana (roupa escura), o governador Osvaldo Piana e o desembargador Dimas Ribeiro da Fonseca, então presidente do TJRO. As senhoras das pontas não as reconheço (Foto acervo PMRO)

Como diretor do presídio Ênio Pinheiro, instalou uma padaria e outras atividades para manter os presos com ocupação; pacificação do mesmo presídio e do Urso Branco alguns anos depois; “limpeza” do entorno da rodoviária de Porto Velho no primeiro dia do governo Piana (1991-1995); e numa atividade extra-oficial, comandou a prisão do suspeito de assassinato do senador Olavo Pires na Bolívia; e foi secretário de Segurança no governo Bianco (1999-2003). Na política não obteve sucesso, tendo sido derrotado nas suas candidaturas.

Eu me despeço mentalmente dele, pedindo a Deus que reserve o lugar que ele merece e conforte a família, especialmente o amigo coronel PM Walnir Ferro Junior (O “Ferrinho”), e todos os amigos do coronel Ferro. 

Descanse em paz, sua missão na Terra foi cumprida com louvor.

[Crônica XL/2025]