Estamos vivendo tempo de desamor, de desarmonia e outras coisas com o prefixo “des”, que sempre antecede palavras com significados negativos, de separação ou afastamento.
Pensou-se que a pandemia de Covid-19, que nos isolou socialmente durante um período, nos faria ver que precisamos mudar o nosso comportamento perante o próximo.
Essa expectativa foi frustrada e o que era ruim, piorou. Lembro até o que cantou Chico Buarque, “A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão, viu?”, quando pessoas olham para o chão ou para o outro lado para evitar cumprimentar ou responder a um “bom dia”.
Aeroporto com abraço cronometrado

A administração do aeroporto internacional de Dunedin – Nova Zelândia proibe abraços com mais de três minutos (Foto Dunedin’s Aiport/Divulgação)
Aí vem um burocrata lá da Nova Zelândia, que administra um aeroporto e decreta que os abraços, nas salas de embarque e desembarque, devem ser de, no máximo, três minutos, para não atrapalhar o fluxo de passageiros e melhorar a segurança.
Gentilmente ele oferece uma alternativa para quem uns míseros três minutos não é suficiente na demonstração de afeto: podem ir para o estacionamento do aeroporto e ficar lá por 154 minutos sem a cobrança de taxas.
A iniciativa, segundo o cara, é baseada em um estudo científico que diz “que um abraço de 20 segundos é suficiente para liberar a oxitocina, conhecida como hormônio do amor”, e completou: “a aceleração do tempo de espera permitiria a um maior número de passageiros dar abraços breves mas significativos”. Ou seja, eles estão dando 2m e 40’ a mais para a troca de carinho.
Encerro com um verso da canção “Encontro e despedidas”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, gravada em 1985: “Mande notícias / Do mundo de lá / Diz quem fica / Me dê um abraço / Venha me apertar / Tô chegando… (…)”, onde um abraço é sinal de saudade e bem querer.
[Crônica CL/2024]

