Estávamos especulando sobre “o sumiço da toalha verde que estava dobradinha sobre o encosto da cadeira na mesa lá de fora”. O que teria acontecido?
Usando os métodos aprendidos na literatura e nas séries de TV, “interrogávamos” a única testemunha que podia falar, pois o outro espectador, o cão Bart, ainda não se expressa por palavras inteligíveis.
A tia Fátima ouviu o Bart latindo “com ênfase” (essa palavra é por minha conta) durante a madrugada e se levantou para olhar, mas nada viu de anormal. Só quando todos levantaram é que se deram conta da possível tentativa de furto. Um pente fino foi passado por toda a propriedade e apenas foi sentida a falta da toalha verde que estava dobradinha sobre o encosto da cadeira.
O que se sabia era: a toalha verde foi deixada dobradinha sobre o encosto da mesa que fica lá fora, na área do forno e da churrasqueira. A falta dela foi sentida após uma série de evidências que apontavam que a casa recebeu uma visita indesejada de algum amigo do alheio. O portão foi encontrado aberto assim como a porta da oficina pelo casal dos primos que saíram cedo para um passeio.
Uma teoria apresentada pela tia Fátima foi aceita unanimemente para explicar o sumiço da toalha verde que estava, você já sabe onde: o larápio a pegou para acomodar os objetos que interessasse furtar, mas esse intento foi estorvado pelo alarme dado pelo Bart, que cumpriu sua obrigação de guardião das vidas e do patrimônio.
Ainda digeríamos a invasão de domicílio, quando a tia Josy – dona da casa – deu um grito lá nos fundos. Pensei com o cordão da minha bermuda: o ladrão ainda estava homiziado em algum cantinho do quintal, e a Josy deu de cara com ele.
Corremos até ela, que estava parada, apontando a lanterna do celular para a pilha de lenha armazenada sob o forno. “Tem uma cobra ali. É uma cobra verde, sei lá, marrom? Deste tamanho assim”.
Fiquei a uma distância segura enquanto as mulheres confabulavam sobre a possível espécie da cobra, a partir da descrição dada. O Márcio, marido da Josy, foi avisado e em seguida os Bombeiros foram acionados.
A captura do ofídio foi tranquila. O indivíduo foi identificado como uma caninana (Spilotes pullatus), de cores preta e amarela, que não é peçonhenta.
O susto fez com que esquecécemos o episódio do “sumiço da toalha verde que estava dobradinha sobre o encosto da cadeira na mesa lá de fora” e que ainda não reapareceu.
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