A noiva entrou na igreja conduzida pelo próprio noivo, já que não tinha parentes próximos e não quis que nenhum dos colegas de trabalho a acompanhasse até o altar.
De pé, em frente ao pastor, ouviu toda cerimônia sem alterar um músculo do rosto. Impassível.
Quando perguntada se desejava receber a mão de Fulano de Tal como seu esposo, de livre e espontânea vontade, disse um “não” bem seguro, que foi acompanhado de um “oh!” numa reação coletiva da assistência.
Antes que o noivo e convidados se recuperassem da surpresa, ela e o pastor deixaram a igreja de braços dados e sumiram na rua.
Dizem que moram em Sinop (MT), têm sete filhos e vivem felizes. Do ex-noivo não há notícias.
[Conto VI/2024 – Conto originalmente publicado do caderno Lítero-Cultural do extinto jornal Alto Madeira – Porto Velho (RO), 28 de fevereiro de 1998]

