02 de outubro de 2023

Naquela estação

Por José Carlos Sá

Estação de Bernardo Monteiro, construída em 1901 e desativada em 1988 (Fotograma Rede Minas/Reprodução)

A Rede Minas de Televisão – emissora pública mantida pelo Governo de Minas Gerais – exibiu na semana passada mais um documentário da série História das Estações Ferroviárias, mostrando no programa a Estação Bernardo Monteiro. Esse lugar marcou um período da minha vida, de 1971 a 1986, quando morava com a minha família no bairro que se originou dessa parada do trem que ia de Belo Horizonte para Garças de Minas.

Além de ser um dos usuários diários do trem de passageiros, chamado de Subúrbio, eu tinha na Estação Bernardo Monteiro uma referência, por onde nós (então jovens) passávamos para ir aos bailes nos finais de semana na “Adimbem”, como era chamado o salão de festas que ficava a poucos metros da ferrovia.

Durante alguns anos o transporte ferroviário era praticamente a única opção que tínhamos para ir do bairro, em Contagem, para a capital, onde a maioria dos moradores trabalhava. Quando havia atraso da composição – o que era frequente -, passávamos na Estação Central, em BH, para pegar a justificativa do retardamento e levar aos patrões.

Mãe foi uma das entrevistadas (Fotograma Rede Minas/Reprodução)

Minha irmã, “tia Rosa”, lembrou das histórias da Estação (Fotograma Rede Minas/Reprodução)

O professor Aílson Leite liderou a campanha pela preservação do prédio centenário (Fotograma Rede Minas/Reprodução)

O ferroviário aposentado Moyse lembra que o pessoal trabalhava “muito esmuricido, né, sô?” (Fotograma Rede Minas/Reprodução)

No vídeo da Rede Minas, além da minha mãe, D. Nilta, e de minha irmã Rosa Emília, os depoimentos do amigo Ailson Leite, que fiquei conhecendo pela luta dele pela preservação do prédio centenário da estação, do ferroviário Moyse Brauer e o ator Lúcio Honorato, que contou alguns fatos históricos que eu desconheço.

Recomendo o vídeo.

[O título é uma referência à música Naquela estação, de Ronaldo Bastos, João Donato e Caetano Veloso. Destaco o verso: “(…) E o meu coração embora /finja fazer mil viagens/fica batendo parado/naquela estação (…)”]