13 de junho de 2023

Antônio de Pádua – de praça a sargento-mor e vereador

Por José Carlos Sá

Há muito tempo li sobre a carreira político-militar de Santo Antônio no Brasil. O arquivo mental só foi acionado quando ouvi a música “Jorge da Capadócia”, do Jorge Ben Jor, aquela que tem na primeira estrofe os versos: “Jorge sentou praça na cavalaria // E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia…”, que de vez em quando toca no rádio.

Santo Antônio sentou praça no exército português (Ilustra Carinhas.Com.Br/JCarlos)

Frei Antônio, nascido Fernando de Bulhões em 15 de agosto de 1195 em Lisboa, morreu aos 36 anos em Arcella (arredores de Pádua – Itália), no dia 13 de junho de 1231 e – dizem – virou santo ainda em vida, mas isso é uma outra história e fica para outra vez. O que interessa é que Santo Antônio sentou praça na Força Pública Portuguesa no Brasil e chegou ao posto de coronel. Nas horas vagas, foi nomeado vereador perpétuo da progressiva cidade de Igarassu, no Pernambuco.

Folheto sobre a carreira militar de Santo Antônio em Portugal (Blog O Campanhense/Reprodução)

De soldado a tenente-coronel

A carreira militar, que resumo aqui, se iniciou em 1595, quando o santo livrou a cidade de Salvador do ataque de uma esquadra francesa, que antes de chegar ao Recôncavo Baiano, atacou e pilhou a fortaleza de Arguim, na costa africana, roubando uma imagem de Santo Antônio. Conta o frei Antônio de Santa Maria Jaboatam que os “franceses luteranos (…), durante a travessia, após atacaram a imagem com zombarias e golpes de espadas a lançaram ao mar para que o Santo, vilipendiado, os levassem à Bahia”. Os navios naufragaram na altura de Sergipe e os poucos soldados sobreviventes foram levados, presos, para Salvador. No caminho, a escolta portuguesa encontrou a imagem do santo. Em retribuição ao milagre militar, o santo foi incorporado à tropa portuguesa aquartelada na Bahia.
Pouco depois o rei de Portugal, Filipe II, promoveu Antônio a capitão. Em seguida o príncipe regente D. João – depois rei D. João VI – promoveu o santo a sargento-mor (major) e a tenente-coronel, tendo os soldos equivalentes a esta patente pagos pelo Governo ao guardião do convento de São Francisco na Bahia. A coisa só acabou depois da Proclamação da República com a separação da Igreja do Estado.

Nas polícias provinciais

Apesar de ser um só [e a ubiquidade, Zé?], Santo Antônio foi simultaneamente: coronel (a maior patente que existe na Forças Auxiliares) dos regimentos da Capitania de São Paulo; capitão de infantaria na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro; capitão de infantaria ligeira em Goiás; capitão de cavalaria, com direito ao soldo anual de 480$000, em Vila Rica (Ouro Preto atual). Neste último caso, o soldo foi pago até a administração do presidente Hermes da Fonseca, que governou o Brasil entre 1910 e 1914.

Um santo político

A carreira política de Santo Antônio foi menos concorrida que a militar. Em 1754, a Câmara de Igarassu, no litoral de Pernambuco, tentou votar uma moção tornando o santo um dos “pares”, mas não houve autorização real. Porém, em 1951 (outro dia!), um vereador desarquivou a ideia e os edis votaram e tornaram Santo Antônio “vereador perpétuo” de Igarassu. A situação perdura até hoje. A única diferença é que o Ministério Público impediu que houvesse a destinação do “salário” do vereador Santo Antônio para a compra de pães para a festa anual. Hoje o santo exerce a função de representante do povo como voluntário.

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D. João VI Igarassu Ministério Público Santo antônio 

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