14 de maio de 2023

Ciclo do Divino é aberto com as bençãos do Espírito Santo

Por José Carlos Sá

Aos poucos estou conseguindo participar das festas religiosas e culturais da região em que moro. Quando fico sabendo com antecedência, consigo me programar e aproveitar as manifestações. Um exemplo foi a abertura do Ciclo [das festas] do Divino Espírito Santo em Florianópolis, que foi realizada na manhã de sábado (13). Aliás, data de maior simbolismo: aparecimento de Nossa Senhora em Fátima – Portugal, em 1917 e da Abolição da Escravatura no Brasil, em 1888.

A catedral ficou lotada pelos representantes da comunidade para a abertura das Festas do Divino (Foto Leo Rego/PMF)

A abertura teve o hasteamento de bandeiras, seguido de missa solene para a benção dos pães, coroas e cetros dos imperadores, contando com as representações das paróquias que participam do ciclo de festas e comitivas das cidades de Governador Celso Ramos, Bombinhas e Santo Amaro da Imperatriz. A solenidade religiosa foi presidida pelo pároco da Catedral padre David Antônio Coelho, com a participação dos religiosos das comunidades envolvidas.

Antes do evento, conversei com o padre David e contei brevemente como é a festa do Divino no Vale do rio Guaporé, na divisa entre o Brasil e a Bolívia em Rondônia. “Interessante – disse ele. Temos diferentes manifestações em Minas, Goiás… Aqui no Sul tem mais isso de imperador, rainha… Mas o que importa é a crença”.

Esta mesma opinião foi repetida na homilia, quando  o padre David comentou: “Disseram lá fora [no evento de abertura do Ciclo] que essa é uma tradição açoriana. Bom. Disseram que é um movimento cultural. Bom também. Mas desde o dia em que o Senhor soprou o Espírito Santo sobre os apóstolos esta é uma festa religiosa. É a demonstração de crença do nosso povo na propagação da Palavra”.

A solenidade contou com a benção das bandeiras (que anunciam a festa), das coroas e cetros e dos pães, que após a cerimônia foram distribuídos às pessoas. No passado estes pães (ou a massa) eram modelados no formato de órgãos do corpo humano ou imitando os corpos dos animais, e serviam para agradecer a uma graça conseguida, como a cura de doenças. Há a crença que os pães abençoados protegem contra a escassez de alimentos.

A tradição

A festa do Divino Espírito Santo foi trazida para o Brasil pelos portugueses, já que a tradição teve início a partir do cumprimento de uma promessa feita pela rainha (Santa) Isabel, em 1321, ressaltando que a devoção e o culto ao Espírito Santo antecede a festa, que já era observado nas solenidades litúrgicas do dia de Pentecostes. Em Santa Catarina, o professor Telmo Pedro Vieira, no livro “Devoções e crenças luso-açorianas” (Appris Editora, Curitiba, 2020) informa: “(…) o louvor e o culto ao Divino Espírito Santo é resultado da epopeia açórico-madeirense do século XVIII (1748-1754). Os açorianos advindos das ilhas São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Picos e Faial trouxeram às terras catarinenses sua religiosidade”.

O Ciclo

O ciclo de festas do Divino começa pelo Centro de Florianópolis – Irmandade do Divino Espírito Santo, com solenidades do dia 25 a 28 de maio. Na sequência, de acordo com o calendário divulgado  pela prefeitura, a festa será realizadas nos seguintes bairros: Ribeirão da Ilha (27 e 28 de maio); Monte Verde (27 e 28 de maio); Trindade (2 a 4 de junho); Rio Tavares (10 e 11 de junho); Prainha (10 e 11 de junho); Estreito (16 e 18 de junho); Pântano do Sul (2 e 3 de julho); Lagoa da Conceição ( 7 a 9 de julho); Campeche (15 e 16 de julho); Barra da Lagoa (2 e 3 de setembro); Rio Vermelho (8 a 10 de setembro); Santo antônio de Lisboa (8 a 10 de setembro) e Canasvieira (22 a 24 de setembro).

O encerramento será dia 28 de setembro na Câmara de Florianópolis, em sessão solene com as presenças dos casais festeiros de 2023 e apresentação dos casais de 2024. A solenidade será seguida de uma missa na Catedral Metropolitana .

Algumas fotos que fiz na solenidade na Catedral,  acompanhando o cortejo pelo centro histórico de Florianópolis e alguns bastidores.

Entrada das representações das paróquias que participam dos festejos (Foto JCarlos)

Padre David, presidente da cerimônia religiosa (Foto JCarlos)

Religiosos das paróquias participantes (Foto JCarlos)

Paulo Teixeira, provedor da Iles – Irmandade do Divino Espírito Santo, responsável pela realização da Festa do Divino na capital (Foto JCarlos)

Representantes das comunidades festeiras durante solenidade (Foto JCarlos)

O cortejo percorreu as ruas do centro histórico de Florianópolis (Foto JCarlos)

Imperatriz e Imperador do Divino da cidade de Bombinhas (Foto JCarlos)

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, também participou do cortejo (Foto JCarlos)

A paróquia de Santo Antônio de Lisboa esteve representada na abertura dos festejos de 2023 (Foto JCarlos)

O frei Germano Gesser, da Paróquia de Santo Amaro da Imperatriz, acompanhou a comitiva da cidade (Foto JCarlos)

Bastidores

A recepção aos participantes da abertura do ciclo foi feita pelo boneco do professor Franklin Cascaes, homenagem ao pesquisador das tradições açorianas trazidas para Santa Catarina. A obra é de Osmarina e Paulo Villalva (Foto JCarlos)

O padre David abriu as portas da Catedral para receber os festeiros (Foto JCarlos)

A coroa de um imperador à espera da cabeça a ser coroada (Foto JCarlos)

Sapatos de salto alto não combinam com o calçamento de paralelepípedos do centro histórico (Foto JCarlos)

Acompanhando a partitura (Foto JCarlos)

O sono cobrou seu preço a quem acordou cedo para se aprontar (Fotos JCarlos)

Contei com a especial assessoria técnica dos amigos Osmarina e Paulo Villalva (Fotos JCarlos)