[Este ano de 2022 é de celebrações. É bicentenário da Independência a ser comemorado em setembro; também 200 anos do nascimento do naturalista Fritz Müller (de quem já tratei aqui), mais o centenário da Semana de Arte Moderna, da adoção oficial da letra do Hino Nacional, de autoria de Osório Duque Estrada e da criação do Partido Comunista Brasileiro, o “partidão”. Se vivos fariam 100 anos o político Leonel Brizola, a sambista dona Ivone Lara e atriz e diretora Bibi Ferreira.]
Durante esta semana iniciada dia 4, foi lembrada a Revolta dos Tenentes que protagonizou o episódio conhecido históricamente como “Os dezoito do Forte”. Resumindo, um grupo de tenentes, liderados pelo capitão Euclydes Hermes da Fonseca – filho do ex-presidente marechal Hermes da Fonseca, que estava preso por ordem do presidente Epitácio Pessoa por insubordinação – se rebelou contra a oligarquia que se revezava no comando do país. Estavam combinados se amotinar a 1ª Bateria Isolada de Artilharia de Costa instalada no Forte de Copacabana, o 1.º Regimento de Infantaria, na Vila Militar, os cadetes da Escola Militar de Realengo, o 1.º Batalhão de Engenharia, a Escola de Sargentos, a 1.ª Companhia Ferroviária e o 1º Grupo de Artilharia de Costa na Fortaleza de Santa Cruz. Entre prisões, mudanças de lado e ausência de liderança, ao final, ficaram para a rebelião apenas os militares do Forte Copacabana.
Dos 300 militares rebelados que estavam na fortificação no início da manhã do dia 5 de julho, houve a liberação para quem quisesse sair. 250 (ou 272) aceitaram. Depois houve deserções e desistências, e, finalmente, sairam 28 militares – junto com um civil – em direção ao Palácio do Catete, então sede do Governo Federal e distante mais de oito quilômetros do Forte.
Caminharam pela avenida Atlântida e foram se dispersando. Eram 18 rebeldes ao chegar à altura da atual rua Siqueira Campos (pouco mais de dois quilômetros), quando foram atacados a tiros de fuzil e de revólveres primeiro e à baionetas na execução final, por tropas do Exército e da Polícia Militar. Sobreviveram, feridos, apenas dois tenentes – Eduardo Campos e Siqueira Campos – e dois soldados. O restante morreu.
O jornalista Pedro Doria, editor da newsletter Meio, escreveu na edição do dia 5 de julho: “Exatamente um século atrás começou, com os Dezoito do Forte, o movimento tenentista. Os homens que passaram suas vidas tentando golpes de Estado, até emplacarem em 1964, inauguraram uma cultura que ainda persiste”.
Hoje vivemos em em estado de apreensão por um golpe anunciado, com uma campanha de permanente levantando dúvidas quanto ao funcionamento das urnas eletrônicas e quanto à lisura na condução do processo eleitoral brasileiro. Isso leva a imaginar que, se o resultado das eleições não agradar a um determinado grupo político, haverá um golpe ou auto golpe de estado, com a tomada do poder por essa ala que se supoe prejudicada, usando para isso militares, militantes e milicianos.
Depois, se deixarem isso acontecer, só Deus na causa.

