02 de março de 2022

Deu no jornal / Baú do Zé

Por José Carlos Sá

Leio na contracapa do jornal ND, edição de 01 de março, uma nota sobre a confirmação pelo STM (Superior Tribunal Militar) da sentença de três anos de reclusão por peculato – crime praticado por funcionário público – praticado em 2014. O réu é um ex-cabo do 5° BEC (Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro) sediado em Porto Velho – RO. O militar foi pego em flagrante roubando 37,3 quilos de carne para vender. No quartel, o cabo exercia a função de auxiliar do depósito de gêneros secos e frigorificados. Ele foi representado pela Defensoria Pública que recorreu ao órgão máximo do judiciário militar alegando o ‘Princípio da Insignificância’, o que não foi aceito pelos ministros, que confirmaram a sentença.

Mão suja de sangue

Quando ainda era recruta em um dos quartéis da Aeronáutica em que servi, ouvi dos soldados mais antigos uma história, que se transformou em uma lenda da caserna, pois a ouvi em outras unidades por onde passei com pequenas alterações, de que numa inspeção habitual que os PAs (Polícia da Aeronáutica) faziam em qualquer volume – mochila, sacola, bolsa -, quando os praças saiam pelo portão principal,  o PA ao revistar a bolsa de um taifeiro* enfiou a mão na sacola e a retirou suja de sangue.

Aquele taifeiro, contava a  historia, entrava no quartel bem cedo, retirava do frigorífico a quantidade de carne para as refeições do dia, registrava a quantidade, separando um pedaço para ele. Depois levava para alguém que esperava do lado de fora.

Esse tipo de flagrante, segundo a lenda, era comum e os PAs faziam vista grossa, recebendo em compensação as guarnições em serviço e os demais componentes da Polícia de Aeronáutica, nas refeições do café, almoço, jantar e lanche da noite, recebiam o chamado “melhorado”, que podia ser ovos fritos, porções de carne a mais, além de doces e chocolates, que os outros praças não tinham acesso.

Durante os quatro anos que permaneci no serviço militar, nunca soube de algum flagrante que resultasse em cadeia, como aquele narrado no jornal ND.

* Profissional responsável pela arrumação, limpeza e cozinha dentro de uma Unidade da Aeronáutica