24 de fevereiro de 2022

Frustrando a expectativa das crianças

Por José Carlos Sá

Dois fatos, sem relação entre si, destamparam o meu baú de memórias. O primeiro, um cometário sobre o Ronaldo (Nazário) Fenômeno, que comprou 90% das ações do Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte, time de futebol que já foi um dos maiores do Brasil e hoje é mais conhecido pelos cobradores e pelos cartórios de protesto de notas.

As crianças preveriam ver o Carequinha (Reprodução página A História Esquecida/Facebook)

A outra coisa que li foi sobre um show improvisado do Roberto Carlos, em 1962, para crianças do bairro do Icaraí, no Rio de Janeiro, que esperavam uma apresentação do palhaço Carequinha. Hoje poderíamos pensar que as crianças ganharam na troca, mas naquela época Roberto Carlos não era ninguém, nem na fila do pão!

O Super Cruzeiro: Massagista (não consegui o nome) Neco, Pedro Paulo, William, Procópio, Piazza e Raul; Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira (Foto Arquivo Cruzeiro E. C.)

Por volta de 1967 ou 1968, minha irmã Fátima (Cida) estudava na Escola Estadual Henrique Diniz, em Belo Horizonte, que promoveu uma ação para arrecadar grana para investimentos em pequenas obras. Cida chegou em casa com um bilhete da professora dizendo que tal dia aconteceria a apresentação de três jogadores do elenco do Cruzeiro, tri-campeão mineiro – Neco, Piazza e Pedro Paulo. Pertubamos mãe até ela nos dar o equivalente a R$ 10 hoje, para meu irmão Paulo (Paíto) Roberto e eu irmos ver os craques. O pagamento foi adiantado. A escola era um pouco longe da nossa casa e enfrentamos o sol da tarde. Esperamos o portão ser aberto, depois esperamos um monte de tempo e, afinal, apareceu um cara que não era nenhum dos três prometidos e ainda jogava na reserva. Completamente desconhecido para nós.

Além de voltarmos frustrados, o dinheiro não foi devolvido e mãe não financiou mais nada deste tipo para nós…