22 de fevereiro de 2022

O jornal é meu

Por José Carlos Sá

Euro Tourinho e Ciro Pinheiro (Foto Helena Cruz/página do Ciro Pinheiro no Facebook/08062018)

O jornal é meu O jornalista Ciro Pinheiro manteve durante décadas uma coluna social no jornal Alto Madeira e ficava chateado quando “enxertavam” fotos e notas sem o consentimento dele, que só tomava conhecimento da adição depois do jornal impresso, junto com os outros leitores.
Ciro é uma pessoa calma, que conversa baixo e é incapaz de xingar alguém. Ele não gostava dos acréscimos, mas só comentava o assunto, às vezes achando graça.
Este fato eu assisti:
Em um sábado, já no fechamento da edição do dia seguinte, o seu Euro Tourinho chegou na redação e foi conversando com todos, de mesa em mesa, até chegar ao diagramador Zézinho (José Francisco do Nascimento), que estava terminando, justamente, a página destinada à coluna do Ciro Pinheiro.
Seu Euro examinava as fotografias selecionadas até que encontrou uma, vamos dizer, mal-ajambrada. Ele olhou a foto e perguntou ao Zézinho:
– Que foto é essa? Foi o Ciro quem trouxe?
– Não, seu Euro. Foi o Fulano que pediu para colocar a foto com uma nota do aniversário da amiga dele.
– Mas essa foto está muito ruim, não presta! E rasgou a foto. – A partir de hoje está proibido colocar “coisas” na coluna do Ciro. Vou avisar para o Ivan [Ivan Marrocos, editor geral]!
Inocentemente, o Zézinho perguntou:
– Até as fotos da família do senhor? (Às vezes chegavam fotos sociais da família Tourinho para serem publicadas na coluna sem o conhecimento do Ciro)
– Eu sou o dono do jornal!
Respondeu, ao seu estilo, Euro Tourinho.