16 de fevereiro de 2022

Um passeio à serra catarinense

Por José Carlos Sá

Fomos à Lages, a 216 quilômetros de casa, no contra turno da temporada. O “quente” é ir lá no inverno para ver a neve, mas aproveitamos um efeméride familiar e visitamos a cidade no verão. Nosso destino era a Pousada Rural do Sesc, mas tínhamos que conhecer a cidade, já que estaríamos a 20 quilômetros do centro. Fiz uma pequena relação do que visitar e fomos turistar, mas nem tudo foi possível ver.

Vistas de Lages desde o morro da Cruz (Fotos JCarlos)

A cidade está na altitude 916 metros em relação ao nível do mar, com um vento frequente que tornava o calor suportável. A base econômica é a pecuária, agricultura, indústria  madeireira e turismo rural. Tinha, antes da pandemia como o maior atrativo turístico, a Festa Nacional do Pinhão, que durante onze dias atraia milhares de visitantes com shows de artistas conhecidos nacionalmente e aqueles regionais, gastronomia, com pratos à base do pinhão, além do ‘Shopinhão’, que era uma feira de confecções e alimentos. Não sei se haverá este ano.

Altos do Morro da Cruz (Foto JCarlos)

Um dos pontos turísticos que visitamos foi o Morro da Cruz, que é o ponto mais alto da área urbana de Lages. Para chegar lá a pé, há escadaria com 500 degraus que também serve de via crucis nas solenidades religiosas relacionadas à paixão de Cristo na Semana Santa. A escadaria foi construída e inaugurada em 2000, em comemoração aos 500 anos da descoberta do Brasil pelos portugueses. No alto do morro, que também pode ser acessado por automóvel (só por isso que eu fui), há uma pequena capela, sanitários e a cruz propriamente dita.

Também há um balanço para fotos de múltiplas possibilidades.

Marcela “voa” sobre Lages (Foto JCarlos)

Centro

Igreja de NS dos Prazeres, matriz diocesana de Lages (Foto JCarlos)

Outro lugar que estava em nossa lista era a Catedral Nossa Senhora dos Prazeres, cuja construção começou em 1902 e foi inaugurada em 1922. O projeto, do padre Frei Egydio Lother, foi inspirado na Catedral de Magdeburg, a primeira construção gótica da Alemanha, erguida em 1209. O motivo da igreja constar no reduzido rol de locais para visitação foi para ver os vitrais, que foram destacados em um dos guias de turismo que li. Falaram mais nos vitrais que nos outros detalhes arquitetônicos da igreja como “janelas verticais com arcos góticos, torres ornamentadas com pequenas rosáceas e detalhes em pedra. A consolidação dos arcos internos por abóbadas de arcos cruzados, formam naves nervuradas. Seus telhados são em forma de pirâmides multifacetadas, com coberturas metálicas. Na fachada há uma rosácea guarnecida de detalhes esculturais sobre a porta principal”.

A tal da rosácea frontal (Foto JCarlos)

Mas deu ruim. Fomos lá no sábado e na segunda-feira e o templo estava fechado. Aceitei a sina e deixei para lá.

Palácio Municipal – sede da Prefeitura de Lages – SC (Fotos JCarlos)

Este é o prédio da Prefeitura Municipal. Foi inaugurado no primeiro dia de 1901 e tem traços da escola neogótica ou neoclássica italiana, dependendo de onde você pesquisa. Segundo o livro de  tombamento da Fundação Catarinense de Cultura, são características do imóvel “sua portada, cunhais, platibandas, balcão da esquina e cimalha são em cantaria de pedra e os gradis das janelas inferiores e dos balcões superiores são em ferro”. Também estava fechado quando passamos por lá.

Conjunto de esculturas do Memorial às Lavadeiras (Fotos JCarlos)

O Parque Jonas Ramos, ou do Tanque é uma bela praça bem no centro da cidade. No local funcionou uma bica (carioca) d’água, onde as lavadeiras cumpriam o seu mister. O fundador de Lages, Coreia Pinto, teria mandado construir em torno do local – que possuía quatro ou cinco fontes naturais – uma cerca de taipa para proteger as mulheres que ali trabalhavam da importunação dos índios.  O Monumento às Lavadeiras, que lembra as origens daquele sítio, é muito bonito mas está meio abandonado. O autor do conjunto de esculturas é José Cristóvão Batista.

Centro Cultural Vidal Ramos Junior, do SESC (Foto JCarlos)

Também está com ares de desleixo e abandono os jardins do Centro Cultural Vidal Ramos, que hoje abriga uma unidade do SESC (aliás, é a primeira unidade do SESC que vejo com aspecto de desatenção). O prédio foi construído no estilo neo-gótico em 1912 para ser o Grupo Escolar Vidal Ramos Junior, o “Colégio Rosa”, na época o segundo colégio mais moderno de Santa Catarina. As turmas eram divididas. Os meninos ficavam na ala frontal, da rua Vidal Ramos Júnior) e as meninas, do outro lado, na rua Frei Rogério.

A “rosa de Anita” está precisando de uma poda… (Foto JCarlos)

No jardim desse prédio está plantada mais uma das mudas da “Rosa de Anita”, uma flor híbrida que foi desenvolvida na Itália para marcar o bicentenário da heroina catarinense, que alguns historiadores alegam que Anita Garibaldi nasceu em Lages, sendo levada depois para Laguna. Essa é uma briga na qual não vou me meter.

Fomos também ao Memorial Nereu Ramos, primeiro catarinense que foi presidente da República, mas este é o assunto de um próximo pôste.