
A Casa de Câmara e Cadeia assinalado na obra Vista da Ilha de Santa Catarina, de Gaspard, Duché-de-Vancy, 1785 (Reprodução)
O prédio fica no centro de Florianópolis, na Praça XV de Novembro, e foi construído entre 1770 a 1780, servindo de Casa de Câmara e Cadeia, agora quase 250 anos depois, é o mais novo museu da cidade. Segundo o saite Floripacentro, “o prédio histórico, um dos três mais antigos da Capital, junto com a Catedral Metropolitana e o Palácio de Governo.
A história do edifício é interessante. Para construí-lo, em local definitivo, a Câmara da Vila de Nossa Senhora do Desterro, formada por cinco “homens bons” que residiam ali e foram eleitos pela população (aqueles que podiam votar), aprovou um imposto de Rs 20$000 (vinte mil-réis) sobre cada pipa de cachaça que entrasse ou saísse da vila. Era o chamado “Subsídio eleitoral” destinado à construção do Paço Municipal. A Câmara de Vereadores funcionou no local até 2005 e a cadeia até 1930.
Após alguns anos a casa teve varias destinações, desde abrigar eventos temporários, e até serviu de Casa do Carnaval e Casa do Papai Noel, além de ficar um tempo fechado. Entre 2009 e 2019, a Prefeitura de Florianópolis investiu R$ 5 milhões nas reformas necessárias para o prédio ser destinado a um museu. O SESC ganhou a licitação para gerir o Museu de Florianópolis por 20 anos, tendo sido inaugurada esta nova fase em novembro de 2020.
Visitamos cada cantinho do museu e ficamos sabendo um pouco mais sobre a história de Florianópolis. Na sala “Ventos e Marés: de Meiembipi a Florianópolis, é feita uma exibição de vídeo em múltiplas telas, contando todo o desenvolvimento da Ilha de Santa Cataria, desde os índios Carijó, que a habitavam, até os dias de hoje, passando pela chegada de Francisco Dias Velho, fundador da vila de Nossa Senhora do Desterro, a vinda de africanos escravizados, a Revolta Federalista e a construção da ponte Hercílio Luz. Ao final, as janelas da sala se abrem para vermos a cidade.
Nas outras salas temos uma mesa digital que mostra a ocupação da ilha; outra com vídeos sobre vários aspectos da cidade; uma maquete tátil do prédio, mostrando a Casa de Câmara e Cadeia em várias épocas; temos também os depoimentos de “manézinhos” falando da relação deles com a ilha e uma sala destinada aos pequenos, com a possibilidade de fazerem ou colorirem desenhos que serão escaneados e incorporados às exibições.
Não se pode esquecer que o espaço da escada, entre os andares, tem algumas expressões próprias da Ilha de Santa Catarina, herança dos Açorianos, com os significados traduzidos em inglês e espanhol. Estão lá, entre outras, “Arrombassi”, “Dazumbanho”, “Istepô”, “Moquirido”, “Tax tolo?”, “Mofas com a pomba na balaia”, “Ó-lhó-lhó”.
Adendos:
- Sérgio José Grando exerceu o mandato de prefeito de Florianópolis de 1993 a 1996 e morreu em dezembro de 2016. Foi eleito pelo Partido Popular Socialista (PPS), antigo Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, por este motivo houve resistência para dar o nome dele ao museu, mesmo tendo tido uma administração bem avaliada.
- Enquanto a Câmara de Vereadores funcionava tranquila, não se pode dizer a mesma coisa da parte debaixo do prédio. Havia muitas queixas sobre presos maltratados e celas em péssimas condições. Ali se encarceravam “os infratores da lei, escravos, rebeldes e loucos”. A História conta que em visita à Casa, D. Pedro II ficou indignado e demonstrou sua desaprovação com a situação dos presos, no período em que esteve na cidade em 1845.
Vale a pena a visita.
Serviço:
Museu de Florianópolis – Prefeito Sérgio José Grando
Endereço: Praça XV de Novembro – 214 – Centro – Florianópolis
Horário de funcionamento:
2ª, 4ª, 5ª e 6ª Feiras – das 10 às 20 horas (Terças-feiras não funciona)
Sábados, domingos e feriados – das 10 às 16 horas
Ingressos:
R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia
No último domingo do mês a entrada é gratuita


