06 de janeiro de 2022

Nem reis, nem magos

Por José Carlos Sá

Conversando sobre o Dia de Reis com uma colega de Pilates, que é catequista, fiquei pensando no que ela disse sobre a visita dos reis magos a Jesus, que é umas tradições do natal católico. Ela disse assim: “Não está escrito [no Evangelho] que eles eram reis, só que eram magos”.

Eu nunca pensei nisso antes, aceitando o  costume que vigora no país, que ainda tem os festejos do Terno de Reis e a Folia de Reis, de acordo com a região. Na nossa família, os presentes (brinquedos) eram entregues no seis de janeiro. No natal ganhávamos roupas para ir à missa de natal.

Este ano, ao fotografar os presépios por onde passamos, foquei também os Reis Magos para o pôste que tradicionalmente (sou muito previsível) escrevo neste dia todos os anos. Levando em consideração o que disse a catequista, fui pesquisar sobre o assunto e ela tem razão. No Evangelho de Mateus só diz “Magos do Oriente”. Não há referência de onde vieram – a oeste da Judeia tem muita terra – ou quantos eram. Por serem três presentes, ouro, incenso e mirra (Commiphora myrrha, uma planta medicinal usada no tratamento de infecções causadas por bactérias, fungos e vírus, além de servir de matéria prima para perfumes e cosméticos), inferiu-se que eram três pessoas.

Já é sabido que a Igreja adotou “feriados” pré-existentes ao cristianismo. O 25 de dezembro era o Dia do Sol em Roma e o 6 de janeiro foi a data adotada pela Igreja Ortodoxa para comemorar o nascimento de Cristo. A Igreja Católica Apostólica Romana fez a devida adaptação, elegendo os dias para o nascimento de Jesus e a chegada dos Reis Magos, respectivamente.

Conclusão. Como disse o autor desconhecido, “nada é o que parece ser!”

Os Reis Magos chegaram a Antônio Carlos (SC) acompanhados das renas de Papai Noel (Foto JCarlos)

Belchior, Gaspar e Melquior, na versão afro, no presépio de Florianópolis (Foto JCarlos)

Na Igreja de São Francisco, os Magos dão as costas ao fotógrafo (Foto JCarlos)

No presépio da casinha de São Francisco, em Santo Amaro da Imperatriz, os visitantes esperam a vez, após uma família de coelhinhos, para visitar o menino (Foto JCarlos)

Representação na Igreja de N. S. do Rosário – Florianópolis (Foto JCarlos)

Imagens confeccionadas por professores e alunos da Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros de São José – SC (Foto JCarlos)

O menino Jesus ganhou uma garrafa PET em Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis (Foto JCarlos)

Na Igreja de N. S. das Necessidades, em São Antônio de Lisboa, um raro espécime de camelo-anão (Foto JCarlos)