22 de dezembro de 2021

Brincando com a comida

Por José Carlos Sá

A Cabrinha de Natal (Foto Bruna Batista)

Na segunda-feira (20/12) a professora Bruna nos contou, durante a aula de pilates, que junto com a mãe dela viram uma cabritinha amarrada a um poste de energia no domingo pela manhã, em frente à sua casa. O animal estava enroscado na corda e se debatia. As duas foram lá tentar desatar os nós que, decerto, machucavam o filhote.

Inocentes, as crianças brincavam de alimentar a cabrita (Foto Bruna Batista)

Enquanto lidavam com a maçaroca de cordas, apareceu o dono da cabra, acompanhado dos filhos. O vizinho explicou que tinha deixado o bicho ali, mas seria por pouco tempo. Enquanto ele falava, os filhos ofereciam talos de capim para a cabrinha comer, mais brincando que alimentando.

Engorda para o abate (Foto Bruna Batista)

Durante a conversa, a Bruna soube que a cabrita seria sacrificada para a ceia de natal. A informação fez a professora ficar triste e o mesmo aconteceu conosco, só de ouvir a história.

Enquanto a professora falava me recordei de uma charge que vi há muitos anos (agora não sei se na revista Seleções do Reader’s Digest ou em um livro de sociologia), em que o desenhista ironizava o trabalho dos missionários europeus enviados ao interior da África para cristianizar os povos. Muitos dos missionários se deram mal e foram comidos por grupos que se alimentavam de carne humana de maneira natural. A charge, reproduzida abaixo, tem a legenda: “Mugulu, quantas vezes já te disse para não brincar com a sua comida?”

“Não brinque com a comida” (Cartunista MIchaund/The Saturday Evening Post)

Foi o que eu pensei ao imaginar as crianças brincando com a cabritinha.