23 de novembro de 2021

Descobrindo Contagem

Por José Carlos Sá

Quando nossa família se mudou para o bairro Bernardo Monteiro, em Contagem, há 50 anos, ali era o lugar onde o Judas perdeu as botas e não voltou para buscar. Tínhamos como opções de transporte um ônibus até a Cidade Industrial e o trem “subúrbio”, duas vezes ao dia (ida e volta).

Meus pais iam de trem para o trabalho e eu, no meu primeiro emprego, ia de ônibus, com a baldeação. Demorou muito termos o ônibus “direto”, que ia de Bernardo Monteiro ao centro de BH. Eu passava pouco tempo no lugar – trabalhava e estudava na capital – e com isso não conheci a cidade. Sabia o mínimo necessário sobre a história e olhe lá.

Hoje, com a minha agenda mais folgada e estando hospedado no centro de Contagem, consegui fazer algumas descobertas de coisas que estavam ali há muito tempo, que eu já tinha visto, mas não tinha enxergado.

O exemplo é um grupo de casas coloniais, bem preservadas, que sempre esteve ao alcance dos olhos e longe do coração. Segundo a Prefeitura, as casas datam dos séculos XVII e XIX e abrigam a Coordenadoria de Cultura de Contagem. Abaixo três versões do conjunto arquitetônico.

Pintura em tela (Artista não identificado)

Maquete do grupo de casas executado por Walison Diniz (Foto JCarlos)

Rua Doutor Cassiano, pelo meu ponto de vista (Foto JCarlos)

Outros”achados” na Contagem:

Em outros pontos do centro da cidade, casario colonial em diferentes estágios de conservação (Fotos JCarlos)

Igreja matriz consagrada a São Gonçalo. É a terceira construção do mesmo templo. A primitiva capela de taipa foi substituída por um prédio maior, tendo os desenhos das portas sido esculpidos à canivete. Foi demolida e as obras de arte desapareceram. Na igreja atual resta apenas a imagem do padroeiro, salvo das “restaurações” anteriores (Foto JCarlos)

A Igreja de NS do Rosário, como em outros lugares, foi construída pela irmandade de homens negros. A data do início da obra é incerta, ficando entre 1837 e 1845. Sem manutenção, a igreja ameaçava desabar e em 1973 foi demolida*, apesar dos protestos do remanescentes quilombolas da Comunidade dos Arturos e da comunidade. (Artistas não identificados)

  • Intervenções onde era o prédio centenário: Como ‘compensação’ a prefeitura transformou o lugar onde era o templo em uma praça; instalou uma foto da igreja sobre uma estrutura de vidro onde era o altar e duas colunas em chapas de ferro onde havia as portas da igreja (Fotos JCarlos)

    Este casarão, pertenceu à família Belém, é considerado o prédio mais antigo de Contagem. A data, presumida, de sua construção é 1716. Atualmente é tombado como patrimônio histórico e abriga a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira – Museu Histórico de Contagem.  Eu passei muitas vezes de ônibus na porta desse casarão imaginando o que seria (Foto JCarlos)

    * O senhor Caju (não quis dizer o nome), que me guiou na visita ao Museu Histórico, contou uma anedota que pode ter acontecido. Segundo ele um grupo de moradores, preocupado com a situação da Igreja de NS do Rosário, procurou o prefeito Newton Cardoso, pedindo para fazer o Tombamento da Igreja. Newton concordou e mandou demolir a igreja.