Quando nossa família se mudou para o bairro Bernardo Monteiro, em Contagem, há 50 anos, ali era o lugar onde o Judas perdeu as botas e não voltou para buscar. Tínhamos como opções de transporte um ônibus até a Cidade Industrial e o trem “subúrbio”, duas vezes ao dia (ida e volta).
Meus pais iam de trem para o trabalho e eu, no meu primeiro emprego, ia de ônibus, com a baldeação. Demorou muito termos o ônibus “direto”, que ia de Bernardo Monteiro ao centro de BH. Eu passava pouco tempo no lugar – trabalhava e estudava na capital – e com isso não conheci a cidade. Sabia o mínimo necessário sobre a história e olhe lá.
Hoje, com a minha agenda mais folgada e estando hospedado no centro de Contagem, consegui fazer algumas descobertas de coisas que estavam ali há muito tempo, que eu já tinha visto, mas não tinha enxergado.
O exemplo é um grupo de casas coloniais, bem preservadas, que sempre esteve ao alcance dos olhos e longe do coração. Segundo a Prefeitura, as casas datam dos séculos XVII e XIX e abrigam a Coordenadoria de Cultura de Contagem. Abaixo três versões do conjunto arquitetônico.
Outros”achados” na Contagem:

Em outros pontos do centro da cidade, casario colonial em diferentes estágios de conservação (Fotos JCarlos)

Igreja matriz consagrada a São Gonçalo. É a terceira construção do mesmo templo. A primitiva capela de taipa foi substituída por um prédio maior, tendo os desenhos das portas sido esculpidos à canivete. Foi demolida e as obras de arte desapareceram. Na igreja atual resta apenas a imagem do padroeiro, salvo das “restaurações” anteriores (Foto JCarlos)

A Igreja de NS do Rosário, como em outros lugares, foi construída pela irmandade de homens negros. A data do início da obra é incerta, ficando entre 1837 e 1845. Sem manutenção, a igreja ameaçava desabar e em 1973 foi demolida*, apesar dos protestos do remanescentes quilombolas da Comunidade dos Arturos e da comunidade. (Artistas não identificados)
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Intervenções onde era o prédio centenário: Como ‘compensação’ a prefeitura transformou o lugar onde era o templo em uma praça; instalou uma foto da igreja sobre uma estrutura de vidro onde era o altar e duas colunas em chapas de ferro onde havia as portas da igreja (Fotos JCarlos)

Este casarão, pertenceu à família Belém, é considerado o prédio mais antigo de Contagem. A data, presumida, de sua construção é 1716. Atualmente é tombado como patrimônio histórico e abriga a Casa da Cultura Nair Mendes Moreira – Museu Histórico de Contagem. Eu passei muitas vezes de ônibus na porta desse casarão imaginando o que seria (Foto JCarlos)
* O senhor Caju (não quis dizer o nome), que me guiou na visita ao Museu Histórico, contou uma anedota que pode ter acontecido. Segundo ele um grupo de moradores, preocupado com a situação da Igreja de NS do Rosário, procurou o prefeito Newton Cardoso, pedindo para fazer o Tombamento da Igreja. Newton concordou e mandou demolir a igreja.



