10 de novembro de 2021

Bate e volta a Imbituba

Por José Carlos Sá

Sábado fizemos um bate e volta a Imbituba, cidade a 82 quilômetros ao sul de São José da Terra Firme. A cidade ainda é pequena e está em fase de especulação imobiliária com muitos prédios sendo construídos e imóveis a venda. Com pouco mais que 45.700 habitantes, estimados pelo IBGE/2021, os maiores atrativos são as praias, de grandes ondas, próprias para a prática do surfe. Também é um local para observação de baleias, sendo que no passado havia caça ao cetáceo e uma armação (indústria) para aproveitamento do óleo e carne.

As bases econômicas do município são os impostos gerados pelo turismo e pela operação do porto, além da agricultura.

O nome Imbituba tem origem tupi-guarani e significa “grande quantidade de imbé”, um cipó utilizado para a confecção de cordas. Conta a história que os primeiros não índios a chegar à região foram os padres missionários Antônio Araújo e Pedro da Mota, que tinham a intenção de catequizar os índios carijó, que habitavam todo litoral sul do Brasil. A missão iniciada em 1622 fracassou. Mais tarde vieram casais que residiam em São Vicente, litoral paulista e os açorianos trazidos pela Coroa Portuguesa, que criando as Freguesias de Vila Nova e Mirim.

Hoje não resta muita coisa dessa época. No bairro de Mirim é possível ver o traçado-padrão português, um retângulo, em que a Igreja Católica ocupa uma das faces da figura geométrica e o mar – no caso de Mirim, a Lagoa de Imaruí. Mas duas ruas paralelas, as casas e os prédios públicos e no centro, uma praça de convivência.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1946 usando óleo de baleia misturado à argamassa. Tem forte influência açoriana. Está localizada em frente à Praia da Vila e foi construída na mesma época que o porto da cidade. (Foto JCarlos)

Sobre a porta principal da Matriz, a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição que foi trazida por um capitão irlandês de um pequeno navio que naufragou perto de Imbituba (Foto JCarlos)

Ao lado da igreja matriz, uma praça – a Henrique Laje – grande e arborizada, mas mal cuidada. Pelos monumentos, dá para ver o descaso (Foto JCarlos)

A igreja de Sant’Ana foi construída pelos açorianos em 1747 na Vila Nova, hoje Distrito de Imbituba. Por ordem do D. João V foi instalada ali a primeira paróquia da região (Foto JCarlos)

A capela de São Pedro foi construída em 1898 na área em que é hoje ocupada pelo porto de Imbituba. Em 2012, a capela foi desmontada e transferida para o local onde se encontra hoje. É mantida pela SCPar – Porto de Imbituba (Foto JCarlos)

A simpática capelinha ainda está inteira graças à SC Par – Porto de Imbituba (Fotos JCarlos)

Freguesia de Sant’Ana da Vila do Mirim

A Vila do Mirim foi colonizada junto com Imbituba e Vila Nova, se destacando como centro de pesca, por estar localizada às margens da Lagoa do Mirim, atual Imaruí. Os açorianos moradores da vila se especializaram na salga do peixe e na exploração da baleia e seus derivados.

A sede da Freguesia do Mirim foi criada em 6 de maio de 1851, pelo presidente da Província de Santa Catarina, João José Coutinho, portanto a localidade fez 170 anos. Atualmente os moradores de Mirim praticam a pesca artesanal e mantêm os costumes açorianos, dentre eles a Festa do Divino. O setor imobiliário de venda e aluguel de casas está bem aquecido no Distrito do Mirim.

Igreja de Sant’Ana, construída em 1856, cem anos antes do meu nascimento (Foto JCarlos)

Casario açoriano em Mirim (Fotos JCarlos)

A praça de Mirim, em sentido horário: Presépio; decoração para o Natal; marco do centenário da Igreja de Sant’Ana; homenagem ao pescador artesanal; Símbolo do Divino Espírito Santo; referência à mulher açoriana; lembrança de evento esportivo; veículo “híbrido” (Fotos JCarlos)