02 de novembro de 2021

Um cemitério morto

Por José Carlos Sá

Portal de entrada. Ainda bem que fotografia não tem cheiro. O local estava de lascar! (Foto JCarlos 21092021)

Neste Dia de Finados quero relembrar um ex-cemitério. Sim, o Cemitério (desativado) da Candelária em Porto Velho, que foi criado para sepultar os trabalhadores mortos na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O cemitério teve seu auge entre 1908 e 1911, mesmo período em que funcionou o Hospital da Candelária. No antigo campo santo também foram sepultadas pessoas ligadas – por alguma afinidade – aos diretores da ferrovia.

O cemitério ficou inativo e há informações de que os restos mortais dos norte-americanos foram exumados e repatriados. Já os demais despojos foram desenterrados e levados para o Cemitério Municipal de Santo Antônio.

Desde que ficou inoperante, o local passou para o esquecimento por parte das autoridades que se sucederam à frente do Município de Porto Velho e o local chegou a ser invadido várias vezes. Lembro de uma ocasião em que houve a denúncia contra um homem que fez um grande plantio de macaxeira e milho na área da extinta necrópole. Também aconteceu de gente ter levantado barracos para morar ali, independente da má fama de assombrados que os cemitérios carregam.

Volta e meia a Prefeitura dá um “tapa” na limpeza do local ou é transferida para asuzina de Santo Antônio a responsabilidade de realizar obras de acessibilidade para tornar o local um ponto turístico. Porém, sem manutenção, o Cemitério da Candelária permanece na paz e na tranquilidade, vendo a natureza tomar “de conta”. Visitamos o lugar na nossa estada em Porto Velho e o que encontramos não nos surpreendeu.

Cruz feita de trilhos da extinta EFMM, no local das celebrações (Foto JCarlos 21092021)

Antiga placa colocada no local pelo Iphan-RO em homenagem aos trabalhadores da EFMM, lembrando um verso de Fernando Pessoa (Foto JCarlos 21092021)

Uma das trilhas do cemitério, atapetada por folhas secas (JCarlos 21092021)

A identificação do extinto sepultado aqui, está grafada em hebraico (Foto JCarlos 21092021)

Esta sepultura ainda conserva a grade de proteção, onde foi inumado Carlos Augusto Pressler (Foto JCarlos 21092021)