– Coloca uma cerveja no copo do vô?
– Com espuma ou sem espuma?
– Com espuma… Com espumas flutuantes, como dizia Castro Alves…
[Minutos depois]
– O copo do vô está vazio… Põe cerveja aqui, por favor?
– Como é que o seu amigo disse? Espumas flutuantes?
– Quem? Meu amigo?
– É. Você falou há pouco…
– Ah! O Castro Alves, Espumas Flutuantes…
Eu, que não tinha nada a ver com o assunto, meti o bedelho: “Essas espumas flutuantes a que o Castro Alves se referia eram espumas do mar…”
No prólogo do livro “Espumas Flutuantes”, única obra de Castro Alves publicada em vida, o poeta escreveu: “Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da musa – este sopro do alto; do coração – este pélago da alma. E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça(…)”.

