
Mausoléu de Ciro, o Grande. Uma das poucas edificações que restou em Pasárgada, Irã (Foto Divulgação Unesco)
Já havia lido um sem número de vezes o poema “Vou-me embora para Pasárgada”, do poeta Manuel Bandeira (1886-1968). Li também outros autores que se aproveitaram do verso, mas nunca pensei sobre o que seria ou onde se localizaria Pasárgada.
Aceitei, para mim mesmo, que fosse um ‘locus amoenus’, para onde o poeta se retiraria em momentos de tristeza e melancolia. Nunca imaginei que fosse um lugar físico, em algum ponto do nosso Planeta.
A minha ignorância se desfez quando fazia palavras cruzadas em uma revista da Editora Coquetel. O conceito era “sítio arqueológico iraniano” e a solução pedia dez letras. Pulei o problema e fui resolvendo outros da página, até que apareceu a palavra Pasárgada como resposta da questão anterior. Foi aí que a minha curiosidade quis saber onde ficava o refúgio de Bandeira.
Em uma rápida pesquisa encontrei uma explicação dada pelo poeta de que havia ouvido (ou lido) a palavra quando tinha 16 anos. Muito tempo depois, em uma tarde em que não estava bem, falou alto para si mesmo: “Vou-me embora para Pasárgada!” e o poema se construiu em volta da “redondilha” do estribilho.
Pasárgada foi uma cidade da antiga Pérsia, uma das capitais da Pérsia Aqueménida, país que ocupava um vasto território da Ásia. Teve sua construção iniciada por Ciro II, ou Ciro, o Grande e ficou inacabada. Hoje faz parte de um sítio arqueológico na Província de Fars, no Irã. Está entre os bens tombados como Patrimônio Mundial da Unesco. Uma das edificações que resta em pé é o suposto mausoléu de Ciro II.
E assim acaba um poético mistério.
