Tomo emprestado o título de uma matéria do jornal paulistano Metro sobre a arte urbana, cujos autores usam muros, empenas* e caixas de distribuição de cabos telefônicos como suporte para as mensagens que eles querem transmitir para comentar que no centro de Florianópolis e em alguns bairros, já temos várias grandes obras pintadas em prédios.

Antonieta de Barros, referência na educação e política de Florianópolis (Arte Thiago Valdi, Monique Cavalcante e Tuane Ferreira/Foto JCarlos)

Cascaes pesquisou as tradições culturais trazidos pelos açorianos para o Brasil (Arte Thiago Valdi/Foto JCarlos)
Nas empenas, três vultos da história catarinense: um poeta e dois professores. Cruz e Sousa, representante do simbolismo na poesia; Antonieta de Barros, primeira mulher negra a se eleger deputada em Santa Catarina e no Brasil, além de educadora competente e Franklin Cascaes, pesquisador das tradições que o povo açoriano trouxe para o Brasil e que modificou a percepção sobre a cultura especialmente da Ilha de Santa Catarina.
Também há as pinturas de um motorista de aplicativo que no início da pandemia recolhia doações e montava cestas básicas para os colegas e duas outras que são exercícios de imaginação dos artistas.
Nos muros e caixas a proposta é mais social. Trouxe como exemplo esse índio que foi grafitado na lateral de uma casa da rua Padre Miguelinho, no centro da cidade.
Acredito ser uma boa motivação para que as pessoas deixem de andar com as cabeças baixas e os olhos nas telas do celular. Se não querem olhar para outros humanos, que olhem para as obras de arte urbana.
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*Empenas ou empenas cegas – Parede lateral de um edifício, geralmente sem janelas ou aberturas



