Ontem cedo (5) li uma matéria do jornal Estado de Minas informando que a administração do Aeroporto (da Pampulha) Carlos Drummond de Andrade, em Belo Horizonte, seria colocada em leilão. O texto do repórter Gustavo Werneck, em tom saudosista, lembra dos anos em que o aeroporto era muito movimentado e da decadência progressiva depois do início da operação do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins, a 39 km da capital mineira.
Na época do acidente, Juscelino Kubitschek era o governador de Minas. Quando prefeito de Belo Horizonte, JK idealizou o conjunto arquitetônico da Pampulha, que foi encomendado ao jovem arquiteto Oscar Niemeyer.
O rompimento da barragem se deu a partir de uma infiltração no talude, visível a partir do dia 16 de maio de 1954. As autoridades procuravam uma solução para evitar uma tragédia, mas não conseguiam identificar a fenda por onde a água passava. O tráfego aéreo foi transferido da Pampulha para outros campos de pouso e os aviões da FAB foram enviados para a “Fábrica Nacional de Aviões de Lagoa Santa”, conforme destacou o Estado de Minas à época.
A lagoa da Pampulha teve parte de seu reservatório esvaziado para que os serviços de correção pudessem ser realizados. Foi aí que viram ter havido erro na colocação dos drenos, o que provocou uma pressão na barragem. O relatório final chegou à conclusão de que a construção da barragem não obedeceu ao projeto inicial.

O conjunto arquitetônico da Pampulha é composto pela Casa do Baile, edifício do antigo Cassino, Iate Clube e a Igreja de São Francisco (📸 Iepha)
Antes que os técnicos concluíssem os relatórios, os jornais da época refletiam as opiniões da população: “(…) que a ruptura da barragem, [se deu devido] a recusa da Igreja Católica em abençoar a Igreja São Francisco de Assis e a vida curta do cassino, com a proibição do jogo, foram fatos decorrentes de uma maldição provocada por “praga” das famílias que foram desalojadas, para que pudesse construir a lagoa”.
A razão oficial da recusa do arcebispo Dom Antônio dos Santos Cabral em consagrar a igreja era que o prédio fugia dos padrões herdados do Barroco mineiro. No entanto, o motivo secreto da resistência de D. Cabral era o comunismo. Sendo Niemeyer comunista ele não podia projetar uma igreja católica. E não era apenas Niemeyer, outros artistas que participaram da construção também eram comunistas: Burle Marx, Cândido Portinari e Alfredo Ceschiatti.
Na pesquisa não encontrei nenhuma indicação de que alguém foi formalmente apontado como o culpado pelo desastre. O prejuízo da prefeitura foi de Cr$ 100 milhões. Hoje o nível de água da lagoa é monitorado por equipamentos eletrônicos, que também operam o vertedouro da barragem.

