04 de julho de 2021

Uma história mal contada

Por José Carlos Sá

Foi por causa da minha curiosidade, aguçada por um texto publicado no jornal ND e que entendi faltando informações, é que fui aprender mais sobre o assunto.

Não fiquei satisfeito com a pouca quantidade de informações sobre o Moinho Joinville (Print ND 28/06/2021)

Com o título “Projeto resgata o Moinho Joinville”, os leitores são informados que a FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina) anunciou a restauração de um prédio histórico da cidade de Joinville e sua destinação à implantação de um centro educacional do SESI (Serviço Social da Indústria), que atenderá do ensino básico ao superior e capacitação empresarial, além de abrigar área para inovação tecnológica e um Museu da Indústria. As obras devem iniciar até o final deste ano, assim que as exigências da Prefeitura sejam cumpridas. O término da restauração e adaptação está  previsto para um ano e meio a partir depois. O texto informa que o prédio foi “construído em 1913 às margens do rio Cachoeira, no centro de Joinville, […] e tombado pelo patrimônio municipal”.

Assim deverá ficar o Moinho Joinville após a reforma (Imagem FIESC/Divulgação)

Eu achei que era muito pouco. A matéria não justifica a importância histórica do antigo complexo industrial. E para quem chegou aqui ao Estado agora – ou para quem nasceu aqui – o nome “Moinho Joinville” pode não dizer nada. Graças à internet, em menos de dois minutos eu já sabia o básico sobre aquele empreendimento pioneiro na região norte de Santa Catarina, o que ajudou a cidade de Joinville a ser a mais populosa do Estado e a terceira na Região Sul, depois de Porto Alegre e Curitiba.

Fase Final da construção (Reprodução – Arquivo Histórico de Joinville)

O moinho começou a ser construído em 1909, tendo como proprietários os empresários Abdon Batista, Oscar Schneider e Domingos Rodrigues da Nova, que formaram a Companhia Industrial Catarinense. O primeiro nome do moinho foi Boa Vista e era responsável por 40% da moagem do trigo argentino em Santa Catarina. O empreendimento mudou de mãos e de nomes várias vezes, vindo a se chamar Moinho Joinville em 2002, quando foi vendido para uma associação da Moinho Santista com a Ceval, que formou a Bunge, especializada em derivados de soja. Desde 2012 o moinho está fechado e houve muita discussão de o que fazer com aquele conjunto, que foi o porto pioneiro da região.

Agora, depois do tombamento, a FIESC através do SESC, dará uma destinação digna da história do prédio. Me fez lembrar o SESC Arsenal, em Cuiabá, que tive o prazer de visitar duas vezes. O Arsenal começou a ser construído em 1819, por determinação de uma Carta Régia de D. João VI. Chamava Real Trem de Guerra, destinado a “um estabelecimento militar para o conserto e fábrica de armas”. Funcionou até 1950, quando foi transformado em um supermercado para os militares. O tempo cobrou o seu preço e quando o SESC conseguiu o prédio em 1989, através de permuta com o Exército, o local estava bem deteriorado. Abaixo fotos do “antes” e agora:

Entrada principal do Arsenal. Esq. 1988, foto José Maurício M. de Mello; Dir. Atualmente, foto Mateus Hidalgo

Atualmente, o SESC Arsenal oferece cursos de dança, música, teatro, cinema, entre outros, em salas de múltiplos usos. Às quintas-feiras há mostra de artesanato e comidas típicas do Pantanal, com música ao vivo e serviço de bar. Também são realizados eventos como festa junina e festivais de música, teatro, cinema e dança. Os serviços de assistência médica e odontológica também estão presentes no local.

Espero que o Moinho Joinville siga os passos do seu parente cuiabano.

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