19 de junho de 2021

O maníaco da Copasa

Por José Carlos Sá

Centenas de policiais caçam Lázaro Barbosa, suspeito de assassinatos em série, no interior de Goiás (Foto Fábio Lima/Fotos Públicas)

Vi nos jornais e no Twitter a perseguição que a polícia de Goiás e Brasília está fazendo a Lázaro Barbosa, fugitivo acusado de ter praticado pelo menos cinco assassinatos.

A caçada me fez lembrar um episódio ocorrido em Belo Horizonte por volta do ano de 1978. Um homem com problemas mentais (vou chamar de Valdomiro, o “Maníaco da Copasa”) entrou na área dos mananciais que abastecem a Grande Beagá para pescar. O vigia, funcionário da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), o surpreendeu e deu-lhe uma surra usando um cassetete.

O homem – que morava com a mãe – ficou todo machucado. Depois que melhorou dos ferimentos, voltou ao local onde ele foi surrado e matou o vigia com uma facada, roubando-lhe as botas de trabalho, depois fugiu da cidade.

Algum tempo depois, já no interior do Estado, Valdomiro pediu comida na casa de um casal de idosos. Não se sabe o motivo, ele os matou. A partir daí a Imprensa cuidou do assunto, atribuindo a ele todos os crimes que ocorressem sem autoria conhecida em Minas Gerais.

Depois de semanas de busca o homem foi detido e encaminhado para o “depósito de presos” da Polícia Civil. Quando foi colocado na viatura para ser levado para a audiência com o juiz, ouviu os policiais comentarem que a porta do camburão seria fechada com um pedaço de arame porque o cadeado havia quebrado.

No trajeto até o fórum Valdomiro aproveitou uma parada no sinal fechado e meteu o pé na porta traseira da viatura, fugindo entre os carros. Os policiais não conseguiram recapturá-lo.

E a história se repetiu. Com a fuga voltaram a pesar sobre ele a culpa de todos os assassinatos que ocorriam. O medo também foi disseminado, pois Valdomiro poderia estar em qualquer lugar.

Eu entro na história numa noite em que estava de serviço de Cabo do Dia, no Parque da Aeronáutica. O noticiário da televisão informou que a polícia estava com uma linha de investigação focada em uma irmã do Valdomiro que morava em Lagoa Santa (cerca de 40 quilômetros da capital), onde fica o quartel.

A esposa de um sargento, residente na vila anexa ao Parque, preocupada com a notícia, telefonou para ele, que também estava na equipe de guarda e então foram montadas várias patrulhas. Eu fiquei com o sargento e mais um soldado.  Passamos a noite rodando de jipe nos arredores da Base.

Outra patrulha que foi em direção ao hospital militar, se deparou com um grupo de rapazes possivelmente fumando maconha. Um dos colegas foi pedir documentos ao grupo, mas o motorista acelerou o carro, fugindo. Os soldados dispararam os fuzis e graças a Deus não acertaram em ninguém.

Depois dessa noite “perdida”, ficamos sabendo que Valdomiro havia sido visto em uma cidade de Goiás. Pouco tempo depois ele foi morto ao “resistir à prisão”.