Vivemos hoje a antecipação da campanha eleitoral de 2022, quando escolheremos o presidente da República, governadores, ⅓ do Senado, deputados federais e deputados estaduais. A colocação de campanhas na ruas confunde mais do que ajuda a formar um ambiente de discussão de ideias e de expectativa para o que virá. Pelo contrário. Aumenta-se a insegurança e os extremos se agridem, ao invés de chegar a um consenso ou bom senso.
Era início da década de 1970, quando fui estudar no Colégio Comercial Tito Novaes, no centro de Belo Horizonte (Rua da Bahia com rua dos Tamoios); eu que estava acostumado a escolas de “cuspe e giz”, achei maravilhoso o “escritório modelo”, onde usávamos máquinas de escrever enormes para preencher folhas de pagamento no formato de cartões de cartolina no tamanho (talvez) A-1 – 1189mm x 841mm. Também aprendíamos a preencher cheques e recibos simples. A ideia era formar auxiliares de escritório.
O professor encarregado por esta parte comercial era o então vereador João Gualberto Teixeira (1969-1972), que estava se candidatando à reeleição. Naquela época, os prefeitos das capitais e das cidades de fronteira eram nomeados pelos governadores, que por sua vez eram indicados pelo presidente da República. A revolução de 1964 estava em pleno funcionamento.
Uma manhã, o professor João Gualberto – sempre lecionava de terno – levou “santinhos” e distribuiu uns cinco para cada aluno da turma, pedindo que conversássemos com nossos pais e pedíssemos votos para ele. Depois fez um resumo da atuação dele no mandato que estava findando. Recebemos os santinhos e levamos para casa.
Na aula seguinte, um colega devolveu ao professor João Gualberto os cinco “santinhos” enviados aos pais.
– O meu pai falou que não vai votar no senhor nem em ninguém. Porque político não presta!
O professor pegou os santinhos e ficou olhando para eles, depois levantou a cabeça e olhando para toda turma – sem esconder a decepção – disse:
– Compreendo que a classe política não é bem vista, mas não podem jogar todos nós na vala comum. Por isso lanço esse desafio: Se o cidadão acredita que seria um bom político, que se candidate! Que submeta o seu nome aos eleitores. Sem fazer isso, não aceito esse tipo de comentário. Vamos à aula de hoje…
Silêncio total.

