20 de abril de 2021

A incrível viagem de Shackleton – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Capa da edição lançada pela Sextante (Foto divulgação)

Por indicação do Márcio Passarella, li vagarosamente o livro A incrível viagem de Shackleton – A mais extraordinária aventura de todos os tempos, de autoria de Alfred Lansing (Editora Sextante/Rio de Janeiro, 2004). Escrevi acima que li devagar por que para mim, o livro é extremamente perturbador. O mar não é o meu elemento, sou de terra firme.

Endurance preso na banquisa, pouco depois seria esmagado pelas placas de gelo (Foto Frank Hurley)

Ernest Shackleton (1874-1922), nascido na Geórgia do Sul, uma possessão britânica,  tentou três vezes chegar ao Polo Sul. Na primeira pegou escorbuto e quase morreu; na segunda, liderada por ele próprio, o navio teve que retornar; e na terceira (1914-1917), esta que é narrada em detalhes no livro, o navio Endurance ficou preso entre duas placas de gelo e foi esmagado alguns dias depois. O objetivo da expedição era atravessar o Continente Antártico usando trenós puxados por cães.

Depois que o navio ficou impedido de avançar ou recuar, a tripulação composta por 27 homens, montou um acampamento sobre uma “banquisa” (camada superficial de gelo, produzida pelo congelamento da água do mar), que flutuava ao sabor do vento.

Tripulação do Endurance (Foto Frank Hurley)

Em princípio, comeram os alimentos levados no navio, mas a medida que os dias passavam – ficaram mais um ano nesta situação – foram obrigados a caçar focas, pinguins e até um leopardo-do-mar. Com o derretimento da banquisa, adaptaram o botes salva-vidas para navegar em mar aberto e, depois de muita luta, chegaram à ilha Elephant, na costa da Antártida, pertencente ao arquipélago das ilhas Shetland do Sul. Shackleton resolveu buscar ajuda e levou alguns tripulantes no bote maior. O restante da tripulação passou dias de expectativa, na esperança da chegada do socorro.

Enquanto isso, o chefe e os demais acompanhantes, lutavam para chegar à Geórgia do Sul. onde esperavam obter ajuda. Ao chegar à terra firme, Shackleton e mais um companheiro andaram 36 horas até chegarem à uma baleeira, para enfim conseguir ajuda para os companheiros que ficaram para trás.

A narrativa, baseada nos diários e em entrevistas com os membros da Expedição Transantárctica Imperial, dá detalhes do comportamento do mar, com ondas colossais, a difícil vida no gelo e na inóspita ilha Elephant, além da espera por um longo tempo e a perda, pouco a pouco, da esperança de saírem vivos daquele lugar.

É uma boa leitura, mas me deixou com a certeza que eu não me meteria numa aventura destas.

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Continente Antárctico Editora Sextante Ernest Shackleton Márcio Passarella Polo Sul 

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