O conto, “Meu tio o Iauretê”, do Guimarães Rosa (1908 – 1967) foi publicado pela primeira vez na revista Senhor, em 1961 e depois fez parte da coletânea “Estas Estórias”, publicada postumamente, em 1969.
Era uma visagem ou um encantado? Fiquei com esta pergunta na cabeça desde que comecei a leitura. O texto é praticamente um monólogo, já que o outro personagem não tem suas falas – perguntas – publicadas, e é metade em português e metade em tupi-guarani. O protagonista é o meio-índio Macuncozo, filho de um homem branco com a “bugra” Mar’Iara Maria, da etnia Caraó. Ele foi contratado para “desonçar esse mundo” e diz que matou muitas, usando principalmente zagaia, espingarda, revólver e faca.
O monólogo/diálogo se passa no rancho do Macuncozo, em um local perdido no sertão, que recebe um viajante que está doente e o cavalo com a perna machucada. Ele vai ficar pousado até que um camarada seu vá buscá-lo pela manhã. Durante toda a noite o onceiro bebe cachaça que o hóspede levava e conta histórias dos diversos tipos de onça que existem na região – a pintada, a suaçurana, cangussu, jaguara-pínima, pixuna – dando a característica de cada uma. Depois diz estar arrependido de ter matado mais de 40 onças, por ter descoberto ser parentes das onças.
À medida que a noite avança, tenta convencer o visitante a dormir, mas este segura o revólver na mão. Quando a cachaça faz efeito (eu imagino), Macuncozo começa a contar que se transforma em onça e mata seus desafetos, vizinhos com quem não se dava. O final do conto deixa o suspense no ar. Quem morreu? O visitante ou o meio-índio?


