11 de abril de 2021

A Ferrovia no Vale do Itajaí – Estrada de Ferro Santa Catarina – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

A minha paixão por ferrovias sempre me leva a descobrir obras que mostrem as Estradas de Ferro que já existiram no Brasil e o que levou os governantes a desativá-las.

Este é o caso deste trabalho da arquiteta e professora Angelina Wittman, que tem vários trabalhos sobre a colonização alemã de Santa Catarina, os desafios que esses imigrantes enfrentaram e a arquitetura que trouxeram da terra natal e ainda pode ser apreciada em várias cidades catarinenses.

O livro A Ferrovia no Vale do Itajaí – EFSC, é de 2008, editado pela Edifurb/Blumenau-SC e conta como foi a implantação da estrada de ferro, que foi pensada para interligar as diversas colônias que iam sendo instaladas no interior do Estado, muitas com acesso precário por estradas de terra. Havia outras cidades às margens dos rios, mas alguns não eram navegáveis em certos trecho.

Outro aspecto que Angelina destaca é que EFSC teve investimentos para compra do material ferroviário – inclusive locomotivas – na Alemanha, diferente do restante do Brasil que tinha equipamentos importados da Inglaterra. A explicação é simples: o capital aplicado era de investidores alemães ou de imigrantes, ainda ligados à sua terra de origem. A EFSC foi inaugurada em maio de 1909 e desativada em 1971.

Locomotiva 301, de Rio do Sul – SC (Fonte Angelina Wittmann)

A exemplo de outras ferrovias, a EFSC começou a ser desativada gradativamente, sendo  totalmente extinta em 1971. Das muitas estações que existiam ao longo do percurso de 184 km, desapareceram, tendo sido demolidas, levadas por cheias de rios. De alguma não ficou nem fotografias. Os poucos prédios que restaram hoje são ocupados por setores municipais, restaurantes, casas de famílias. Algumas com a arquitetura original preservada e outras completamente descaracterizadas.

Durante a leitura lembrei muito da Estrada de Ferro Bahia e Minas (da qual não existe mais nada) e da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que de tempos em tempos recebe um sopro de esperança.