30 de março de 2021

Comendo o que não gosta

Por José Carlos Sá

A Marcela assistiu a alguns episódios da série Crown, da Netiflix, que retratavam a passagem da Lady Diana na realeza britânica. Em uma das cenas, a princesa disfarçava para não comer, amassando a comida no prato, fazendo hora. Lembrei de dois episódios ocorridos na nossa família.

Pamonha em receita da Seara (Foto divulgação)

Desde pequenos recebemos orientação de mãe para, fora de casa, não pedir nada, nem aceitar nada, especialmente comida e biscoitos. Mas se fosse inevitável, comesse de cara boa.

Eu tinha aulas de reforço de inglês na casa do meu tio Wilson Moreira, sendo a professora Nininha, a filha dele. Numa tarde, dona Norma sugeriu que parássemos a aula para um lanche. Eu disse que não precisava, mas ela colocou na minha frente uma fatia de mamão.

Cortei a fruta em pedaços pequenos, colocava na boca e engolia sem mastigar. Nininha notou e disse: – Mãe, parece que Neném não gosta de mamão…

– Você não come mamão? Por que não disse?

Já minha irmã Cida foi passar o dia com nosso pai, que naquela época trabalhava em Divinópolis (MG). Na hora do almoço foram para um restaurante e pai pediu dois bifes de fígado “caprichados”. Cida não come fígado, mas engoliu o bife dela, em suaves prestações. Só depois ela disse que não gostava de fígado….

Mais uma. Fui à Lima – Peru, em uma missão da Federação das Indústrias, sendo ciceroneados pela ex-embaixador Alejandro Gordilho. O embaixador nos recebeu na residência dele e serviu pamonha recheada à moda peruana. Eu não como derivados de milho (mineiro falsificado) e engoli a pamonha – apimentada – com cara boa. Só não aceitei mais uma…