11 de março de 2021

De férias, mas ligado

Por José Carlos Sá

Ainda está repercutindo pela imprensa e analistas políticos de Florianópolis a viagem do prefeito Gean Loureiro, de férias, para Cancun, no México. O período de descanso era conhecido e o vice-prefeito assumiu a administração da capital, tendo Gean, pelo twitter, informado que, mesmo formalmente afastado, ficaria à frente das iniciativas relacionadas à saúde e ao combate à Covid-19. No entanto, um decreto relacionado à pandemia, assinado pelo prefeito em exercício, chamou a atenção de um colunista, que checando com as fontes dele na Prefeitura, foi informado que o prefeito estava no exterior. O assunto tomou dimensão e Gean Loureiro retornou e pediu desculpas, dizendo que esperava, de lá, monitorar o que estava acontecendo aqui.

Por experiência própria sei que em férias, ou você faz uma coisa ou faz outra. Em 2012, estávamos, exatamente aqui em Santa Catariana, quando o rio Madeira começou a causar o desabamento das margens na altura do bairro Triângulo em Porto Velho. A cada volta da praia, eu ligava o celular e lia as matérias dos sites , procurava entender o que acontecia, mas me sentia impotente para fazer alguma coisa. Ao mesmo tempo, não queria interferir lá no meu setor, nasuzina. É difícil conciliar.

Só para não ficar sem ilustração (Foto internet)

Eu trabalhava na assessoria da Fiero (Federação das Indústrias de Rondônia) e o presidente Miguel de Souza tirou férias – depois de não sei quantos anos – e foi com a família para a Paraíba. Primeiro ficariam alguns dias em João Pessoa, depois seguiram para o interior para visitar familiares.

Nos dias em que Miguel ficou com a família no litoral, ele ligava para mim, de um orelhão na praia e dizia:

– Bom dia, seu Yousef!

– Bom dia, presidente!

– Por favor, Zé, leia a manchete do Diário da Amazônia…

Enquanto eu lia as manchetes dos jornais de Porto Velho, ouvia ao fundo o  barulho das ondas do mar e o Marcelo, o filho do meio do Miguel, chamando: “Papai, papai, papai, vem pro mar!” Uma característica do Marcelo é que ao chamar as pessoas, repetia três vezes o nome: Zé Carlos, Zé Carlos, Zé Carlos… Mamãe, mamãe, mamãe…

Depois de lidas as manchetes, a pergunta seguinte era: E as fofocas políticas?  Assim foi durante todas as férias.