25 de janeiro de 2021

Presente de aniversário

Por José Carlos Sá

Cine Odeon, onde aconteceu o fato aqui narrado (Foto Grupo Fotos antigas de Belo Horizonte/Facebook)

Sempre gostei de cinema. Minhas lembranças mais antigas são de filmes épicos-religiosos, como Os Dez Mandamentos, Ben-Hur e Quo Vadis. Adolescente, em Belo Horizonte, sempre que podia ($) ia às matinês no Cine Pompéia. Quando comecei a trabalhar, separava uma graninha para ir, pelo menos uma vez na semana,  assistir algum filme.

Nesta época, década de 1970, havia muito rigor na observância da indicação de idade mínima permitida para assistir à película. Equipes do Juizado de Menores chegavam às salas de exibição, mandavam acender as luzes e checavam os documentos dos “suspeitos”. Se a pessoa estivesse com a idade abaixo daquela permitida, era convidado a se retirar, o que era feito sob vaia dos outros espectadores.

Para não passar por este vexame, sempre evitei ir assistir filmes proibidos para menores de 18 anos  antes de tê-los. Em 1974 entrou em cartaz o filme Ensina-me a viver (Harold and Maude), com três músicas do Cat Stevens que eu ouvia na rádio desde o ano anterior. O filme tinha indicação de “impróprio para menores de 18 anos”. Depois o filme já foi exibido até na Sessão da Tarde, da TV Globo.

Fui assistir ao filme – por causa do Cat Stevens -, comprei o ingresso e me dirigi ao porteiro, que vendo minha face imberbe, pediu minha carteira de identidade e olhou primeiro a minha fotografia. Depois virou o documento para verificar a minha idade. Ele deu um sorriso, devolveu o RG e disse, enquanto eu passava: “Parabéns!”. Eu estava fazendo 18 anos naquele dia.

 

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Belo Horizonte Cat Stevens Censura Cine Odeon Cinema Sessão da Tarde TV Globo 

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