24 de janeiro de 2021

Doze lendas brasileiras – Como nasceram as estrelas – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

Clarice Lispector (Ilustra Suryara)

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, em 1920. Mas como ela mesma dizia, nunca pisou no solo da Rússia, pois saiu de lá com dois meses de idade no colo dos pais. No Brasil, ela se apaixonou pela literatura, folclore, costumes e tradições culturais.

Algumas lendas brasileiras revistas

Este pequeno livro (que eu havia salvo no computador em algum momento e não me lembrava mais), classificado como literatura infanto juvenil, é uma prova da admiração de Clarisse pelo nosso folclore. Doze lendas brasileiras – Como nasceram as estrelas (Editora Rocco/Rio de Janeiro/2011) ela dedicou a cada um dos meses do ano uma releitura de uma das nossas lendas. Janeiro tem a lenda indígena de como nasceram as estrelas; à fevereiro coube a conhecida “Alvoroço da festa no céu”, aquela em que o sapo não é convidado para a festa no céu por não ter asas, mas aí o esperto pega uma carona no violão do urubu. Desmascarado é jogado lá de cima. Pediu para ser jogado na pedra, mas o urubu, para contraria-lo, o jogou na água e ainda ouviu do espaçoso: “Era isso que o sapo queria!” [Essa parte é por minha conta]

Para março a lenda revista foi a do pássaro da sorte, de como surgiu o Uirapuru, cujo canto encanta. Em abril quem brilha é o Pedro Malazarte, com suas aventuras, sempre enganando as pessoas e tirando proveito próprio disso. A Yara é o tema da lenda de maio. Ela enfeitiça um valente Tapuia e o leva para o fundo do rio, depois sai para buscar outros guerreiros, pois um namorado só não a satisfaz… Para junho, o tema é uma festa na floresta, onde todos os bichos foram convidados – diferente da festa no céu -, mas era astúcia da onça, para arranjar comida sem fazer força. Spoiler: O plano não deu certo.

Julho, agosto e setembro foram dedicados às lendas do Curupira, o Negrinho do Pastoreio e ao Saci-Pererê, respectivamente. Em outubro, é uma lenda desconhecida para mim. “A fruta sem nome”. Em uma época em que as árvores não davam frutos, a única exceção era uma árvores existente na Amazônia que dava uma fruta muito gostosa, segundo a arara, mas para ter autorização para colhê-la, era preciso saber o seu nome. Os bichos pediram ajuda a Tupã, que ensinou o nome da fruta: “muçá”. Acontece que uma velha egoísta queria comer todas fruta sozinha e falava outro nome atrapalhando a memorização pelos bichos. O único que passou incólume pela velha foi o jaboti que ensinou para a bicharada o nome da fruta.

Em novembro, Clarice fez a releitura da lenda de como apareceram os bichos, uma lenda Maué, uma etnia do amazonas. Segundo ela, haveria uma festa na tribo e um dos índios foi designado para ficar no caminho para apontar a direção para os convidados. No entanto a namorada dele queria chegar à festa antes do guerreiro, para namorar outros rapazes. Um informante avisou o que estava acontecendo e o índio foi até o local e transformou todo mundo em bicho. Daí surgiram o tamanduá-bandeira ( a namorada infiel), o morcego, o mutum, periquito, saracura, jacaré, capivara, sapo, cobras e lagartos.

O mês de dezembro foi dedicado ao nascimento de Jesus. A autora fala de Maria descansando após o parto, José meditando, o menino na manjedoura e o boi e o jumento olhando tudo e aquecendo o ar do ambiente com as respirações deles. Texto muito bonito.

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Clarice Lispector Lendas brasileiras Pedro Malazarte 

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