17 de dezembro de 2020

Os casqueiros*

Por José Carlos Sá

Uma notícia mais recorrente do que a pandemia, em Florianópolis, é a de roubo de cabos elétricos de semáforos ou prédios públicos. Nem a centenária ponte Hercílio Luz escapou dos malandros. A Prefeitura corre atrás do prejuízo, consertando o que foi danificado, mas não ataca o principal, que é o receptador.

As tampas de bueiros eram roubadas e vendidas em casas de ferro-velho (Foto Pedro Lacerda)

Em Belo Horizonte, durante anos, foi muito comum o furto de tampas de bocas de lobo e de esgotos, aquelas redondas, de ferro. Lembro que havia um ferro velho no caminho que eu ia para o colégio e me deixava intrigado ver uma tampa de esgoto com as iniciais PMBH (Prefeitura Municipal de Belo Horizonte), parecendo nova no meio das tranqueiras.

Anos depois – em 1983 – eu assessorava o vereador José Francisco Alves e sugeri a ele que fizesse um Projeto de Lei cassando o alvará de estabelecimentos que comprassem material furtado. No caso eu visava os ferros-velhos. O projeto foi aprovado e sancionado pelo prefeito. Aquele ferro-velho a que me referi no parágrafo anterior foi um dos punidos.

E eu nem o denunciei.

* Casqueiros são usuários de drogas no dialeto manezês

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Belo Horizonte Florianópolis Pandemia 

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