01 de novembro de 2020

Impicha ou não impicha?

Por José Carlos Sá

Capa da edição digital do Diário Catarinense deste final de semana (Reprodução)

Vivemos em Santa Catarina um momento político singular. Às vésperas das eleições municipais dois processos de impeachment estão correndo em paralelo – em tempos diferentes, um mais adiantado que o outro – contra o governador Carlos Moisés da Silva (PSL). A vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) escapou do primeiro processo aos 46 do segundo tempo. Os processos são pela equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia Legislativa e a compra de 200 respiradores mecânicos, pagos adiantado (R$ 33 milhões) que não chegaram até agora.

Mas nesta última semana os ventos mudaram, soprando mais nas velas do governador afastado. Tanto os deputados, quanto os comentaristas políticos, já veem uma possibilidade de Carlos Moises voltar, apesar do perfil dele não ser político e não ter assessoria para fazer a articulação na Assembleia. Ele próprio, no período em que foi governador, um ano e oito meses, guardou um distanciamento social do Palácio Barriga Verde, sede do Legislativo catarinense.

Lembrei-me da tentativa de cassação do governador Ivo Cassol, em 2005, quando a Assembleia Legislativa de Rondônia autorizou o STJ a abrir processo para apurar “denúncia por formação de quadrilha e fraude em licitações públicas entre 1998 e 2002, em sua gestão na prefeitura do município de Rolim de Moura”.

Certa da cassação do titular, a vice-governadora D. Odaísa Fernandes deu um churrasco na casa dela reunindo apoiadores e o assunto foi a escolha do novo secretariado. Ao mesmo tempo, o “quase” ex-governador Ivo Cassol negociava com a produção do programa “Fantástico” a exibição de gravações feitas na casa dele, onde dez deputados pediam propina explicitamente.

O resultado: Os deputados foram afastados, alguns presos algum tempo depois e Cassol se reelegeu – com outro vice – e depois foi para o Senado.