30 de outubro de 2020

Credenciamento

Por José Carlos Sá

O credenciamento que conheci era diferente do que eu imaginava (Imagem internet/Edição JCarlos)

Cheguei a Rondônia em abril de 1986. O prefeito de Porto Velho era Jerônimo Santana (primeiro prefeito eleito pelo voto desde 1956; até então os prefeitos eram nomeados pelos governadores). Ao me inteirar de como era a administração dele, fiquei sabendo que Jerônimo viajava mais pelo interior do que ficava administrando o município. O mandato durou pouco: de 1° de janeiro a 14 de maio de 1986, renunciando ao cargo para disputar o governo do Estado.

No dia da posse do vice-prefeito Tomás Correia, que ascendeu à titularidade, um colega, cujo nome eu não me lembro, convidou-me a ir com ele ao evento na Câmara dos Vereadores. Após a solenidade esse colega me apresentou para o vereador João Coelho, que na ocasião era o presidente da Casa. Ao se despedir, o vereador disse ao colega para que me auxiliasse a fazer o credenciamento na Câmara, para isso bastava levar a carteira de trabalho.

Não entendi nada. Os credenciamentos que eu conhecia eram feitos com a carteira da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) ou com um ofício do veículo em que você trabalhava. Disse isso ao colega, que sem o menor constrangimento explicou:

– É para receber um salário mensal da Câmara.

Declinei do convite. Depois soube que a prática era comum e a combati sempre que possível.