25 de outubro de 2020

Guerra do Contestado – 108 anos de um conflito mal explicado

Por José Carlos Sá

Revoltosos levantaram armas contra o governo (Foto Claro Jansson / Acervo Dorothy Jansson Moretti)

Em 22 de outubro de 1912 iniciava a guerra do Contestado em uma região que era disputada pelos estados do Paraná e de Santa Catarina. Mas este não foi o único motivo da revolta. O governo brasileiro resolveu construir uma ferrovia ligando o Rio Grande do Sul a São Paulo.

Como ocorreu com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, foi concedida à empresa construtora uma faixa de domínio de quinze quilômetros para cada lado da ferrovia. Aí é que estava o ‘pulo do gato’, no caso, o empresário norte-americano Percival Farquhar: a região era rica em madeira de lei e erva mate.

Terminada a construção da ferrovia, os operários foram abandonados, não recebendo ajuda para retornar a seus estados de origem. Além disso, os agricultores que perderam suas terras, desapropriadas para a construção da estrada de ferro não tinham como sobreviver. Para acender o pavio do barril de pólvora, apareceu um monge italiano, João Maria Agostini, que a exemplo de Antônio Conselheiro, aglutinou toda essa revolta.

O governo federal e o governo do Paraná enviaram tropas, mas os rebeldes resistiram. Em 1914, um fator ajudou no início da derrota dos caboclos: uma epidemia de tifo. Com a chegada do general Setembrino de Carvalho para comandar as tropas do Exército, este adotou uma tática diferente: separou seu efetivo em quatro alas e cercou os contestadores, os deixando sem alimentos.

A guerra terminou em agosto de 1916 com a prisão do último líder dos revoltosos. Acredita-se que morreram 10 mil pessoas nos combates, de fome ou de doenças.

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Antônio Conselheiro Guerra do Contestado Percival Farquhar Santa Catarina 

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