09 de outubro de 2020

Primeira viagem ao lago do Cuniã

Por José Carlos Sá

Por do sol Lago Cuniã (Foto Rosinaldo Machado)

O amigo Rosinaldo Machado me enviou a foto que ilustra este texto, do por do sol no lago do Cuniã, e lembrei-me da história abaixo, que vivenciamos juntos.

Em 1987, quando o Ibama estava sendo criado, alguém de Brasília resolveu dar ordem de despejo para as famílias extrativistas que moravam no complexo de lagos do Cuniã, a 200 quilômetros de Porto Velho rio Madeira abaixo.

As famílias viviam da pesca do pirarucu e da coleta de castanha. Antes foram também seringueiros.

O engenheiro Antônio Almeida Sobrinho conseguiu agendar uma visita do governador Jerônimo Santana ao local. Fomos na “voadeira” o Almeida; seu Walter Canuto, então presidente da Colônia de Pescadores Z-1; o presidente da Colônia de Pescadores Z-3, do Vale do Guaporé; um amigo do Almeida; o fotógrafo Rosinaldo Machado e eu.

A viagem que deveria ter iniciado às 7 horas da manhã, só foi acontecer depois das 10 horas. Paramos em um flutuante na altura do distrito de São Carlos, onde comemos peixe frito e o vendedor ofereceu uma dose de cachaça para acompanhar. Gostamos da ideia e compramos uma garrafa e fomos bebericando. Para resumir, eu cheguei ao lago “alto”, desci da voadeira, encontrei um local e me deitei fazendo a festa para os carapanãs.

No dia seguinte acordei bem cedo, de ressaca, e fui procurar água. Quando saí do local em que estávamos alojados, vi o nascer do sol mais lindo da minha vida. Tinha de tudo: pássaros de todos os tipos, cores e sons; pirarucus batendo o rabo na água; jacarés soturnos, enfim, a natureza em festa, como diria o poeta.

Acordei o Machado, que se levantou sob protesto, mas quando ele viu a beleza do que estava acontecendo, pegou a máquina e começou a fazer fotos sem dó de gastar rolo de filme.