29 de agosto de 2020

A máquina do ódio – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

O livro mostra os bastidores de campanhas eleitorais em vários países (Foto Divulgação)

A jornalista Patrícia Campos Mello descreve no livro A máquina do ódio – Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital (Companhia das Letras/2020) o uso das redes sociais – especialmente o Whatsapp – nas campanhas eleitorais nos Estados Unidos, Brasil, Hungria e Índia. O envio massivo de mensagens pode ter influenciado as eleições nos países citados. A autora  conta que na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi desenvolveu – ele mesmo – um aplicativo que foi instalado em celulares distribuídos aos milhares à população. O aplicativo simplesmente colhe informações sobre o usuário do aparelho e as transmite para uma central, onde estes dados são trabalhados e usados posteriormente no direcionamento das eleições.

Sobre violência contra jornalistas, Patrícia lembra uma frase do presidente filipino Rodrigo Duterte, pouco depois de assumir, em 2016: “Só porque você é jornalista você não está livre de ser assassinado, se você for um filho da *uta. Liberdade de expressão não poderá ajudá-lo se você tiver feito alguma coisa errada”. Ela própria, a autora foi alvo de um massacre moral ao investigar o uso do Whatsapp na campanha eleitoral de 2018.

Um outro problema atual, tratado no livro são as indestrutíveis fake news: “Como sabemos, fake news circulam com muito mais velocidade que as notícias verdadeiras. Segundo um estudo do Massachusetts Institute of Technology, notícias falsas têm probabilidade 70% maior de serem retuitadas do que as verdadeiras.  E as notícias verdadeiras levam seis vezes mais tempo que as fake news para atingir o número-padrão de 1.500 pessoas. Ou seja, desmentir notícias falsas é enxugar gelo”, conclui.

Um livro para quem gosta de Jornalismo e de Política, e para entender os tempos – confusos – atuais.

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Brasil Estados Unidos Fake news Filipinas Hungria Índia Patrícia Campos Mello Whatsapp 

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