26 de agosto de 2020

Esquecendo o principal

Por José Carlos Sá

Euro Torninho na visão de Márcio Bortolete/Amazon Artes (Arquivo)

A Marcela escreveu há alguns dias no blog Meu bloquinho azul sobre uma estória que ela só soube agora. Um estagiário fez uma matéria sobre o Dia das Crianças e se esqueceu de mencionar a origem da data. Um jornal fez um comentário apontando o que ele considerou um grave erro. O estagiário, morto de vergonha, sumiu com todos os exemplares de jornais impressos do setor, para encobrir o erro.

Quando eu trabalhei no Alto Madeira, volta e meia eu era escalado para cobrir solenidades militares. O seu Euro Tourinho era convidado e mandava pautar um repórter e um fotógrafo. Em uma delas, o carro da reportagem atrasou (a prioridade era para a editoria de polícia). Ao chegar à Base Aérea de Porto Velho, fomos barrados no Portão das Armas e tivemos que aguardar “a incorporação da bandeira à tropa”. Já no evento, seu Euro se aproximou de mim e disse baixinho: “Vocês estão atrasados!” Também baixinho respondi: “Só tem um carro na redação!”.

Ficou combinado que no próximo evento eu iria no carro com ele e o fotógrafo ia depois no carro da reportagem. Houve o evento de aniversário do 5º BEC (Batalhão de Engenharia de Construção), em um 2 de agosto e às 6h30 o seu Euro passou em minha casa para irmos juntos. Eu já o esperava no portão e recebi o que considerei um elogio: “Você acorda cedo, você é um dos meus!”.

Caprichei no texto, citei trechos da Ordem do Dia e das personalidades do passado que foram citadas e etc. O Damião Cavalcante também caprichou nas fotos e fiquei esperando para ver o resultado no dia seguinte. Li a reportagem e gostei (“Narciso acha feio o que não é espelho!”), mas o que é bom dura pouco. Seu Euro chegou perto de mim e disse: “Gostei da matéria. Só faltou uma coisa, o principal: o nome do comandante do BEC!”

Minha cara caiu no chão, mas já era tarde.