Cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias: Esse foi o tempo que Florentino Ariza esperou o marido de Fermina Daza – Juvenal Urbino – morrer para ele ter outra chance de se aproximar da amada.
Florentino e Fermina se conheceram ainda jovens, ela aos 13 anos e ele com 20. Trocaram centenas de cartas, até que o pai dela, desejando um casamento melhor para a filha, do que com um telegrafista dos correios, a levou em lombo de burro para o norte do país (Colômbia), onde Florentino foi encontrá-la com muito sacrifício.
Ao se encontrarem, para a surpresa dele (e dos leitores), a reação da moça foi surpreendente: Mandou o ex-namorado passear e devolveu as cartas que ele lhe escreveu durante anos.
Fermina casou com o médico mais famoso da cidade e Florentino passou a ser um fantasma seguindo-a de longe, até chegar à conclusão que teria que esperar Urbino morrer para tê-la. Passou a conhecer – no sentido bíblico – viúvas, amigas e até uma prostituta, que ele pagava simbolicamente com o equivalente a um centavo, que ela colocava em um cofrinho. Ele se recusava a pagar e ela não fazia sexo de graça, mas ambos se entendiam.
Um ano após a viuvez, Fermina e Florentino voltaram a trocar missivas, agora sem o tom apaixonado da juventude, “mas com reflexões sobre a vida, o amor, a velhice e a morte”.
O livro O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Márquez (Editora Record/1985), foi presente do amigo Léo Ladeia, em PDF, e é uma metáfora de que o amor vence mesmo em tempos de cólera ou do cólera.


