16 de julho de 2020

Dividindo o Brasil

Por José Carlos Sá

Políticos do Amazonas não gostaram da ideia de Teixeirão de dividir o Estado. Continua desgovernado (Foto Rosinaldo Machado)

O amigo fotógrafo Rosinaldo Machado enviou-me o texto de um novo artigo contando uma reunião com os governadores da Amazônia, realizada em 1983 no Palácio do Planalto. O presidente João Figueiredo queria ouvir dos governadores sugestões quanto à “Divisão Geográfica da Amazônia para melhorar e modernizar o desenvolvimento da região”, dentro da ideia geopolítica de “integrar para não entregar”.

O ministro do Interior, Mário Andreazza, propôs a divisão do Pará e de Goiás. Conhecendo bem a região, o governador de Rondônia Jorge Teixeira, sugeriu a divisão do Amazonas em dois, o sul teria como capital Manaus e o norte, Maués. O assunto, segundo Machado , repercutiu na imprensa nacional e políticos amazonenses se manifestaram contra Jorge Teixeira, que foi chamado de traidor e outras coisas.

Observo que o Teixeirão serviu ao Exército muitos anos no Amazonas, tendo criado o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) em 1964 e foi prefeito de Manaus entre 1973 e 1979, conhecendo bem os problemas daquele Estado. Jorge Teixeira ficou chateado e desabafou publicamente: “Estes políticos de *erda querem é fazer média com o povo” teria dito Teixeira, segundo o artigo do Machado.

A divisão do território de Goiás ocorreu na Constituição de 1988, quando foi criado o Estado de Tocantins.

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Jerônimo Santana, já governador de Rondônia, alimentou a ideia de transferir a capital do Estado de Porto Velho para uma região mais central, nas proximidades de Urupá, na região de Ji-Paraná. A alegação é que a localização geográfica de Porto Velho, onde se concentram as sedes dos três poderes, é no extremo norte, o que dificulta a gerência dos problemas do Estado.

A proposta foi rechaçada pela Assembleia Legislativa, pela imprensa e pela população.

Outros políticos de Rondônia – em tempos diferentes – também fizeram propostas de desmembramento das terras de Rondon. O deputado federal Moisés Bennesby propôs a criação do Território Ecológico do Guaporé, no vale do rio do mesmo nome; enquanto o deputado Reditário Cassol cogitou a criação de um novo estado com terras do sul de Rondônia  e norte de Mato Grosso.

Tudo morreu no papel.