15 de julho de 2020

A Guerra do Paraguai – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

A guerra do Paraguai, sob o olhar do jornalista Luiz Octavio de Lima

Já li, pelo menos, uns seis livros sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), e fui surpreendido nesta obra de Luiz Octavio de Lima (Editora Planeta/4ª edição/2019), A Guerra do Paraguai – Como o “Rei dos Macacos”, o marechal que queria ser Napoleão, um jornalista soldado e um presidente degolador deflagraram o maior conflito armado da América do Sul. O autor é jornalista e sabe contar história e nas pesquisas descobriu muitas coisas que não estão em livros didáticos e nem em outros livros sobre a conflagração. Ou foram deixados de lado pelos outros autores.

Elisa Lynch teve papel destacado na Guerra do Paraguai (Retrato reprodução internet)

A amante de Solano López, por exemplo, a madame Elisa Lynch (Elisabeth Alicia Lynch, nome verdadeiro), era citada por outros autores de passagem, em algum episódio. Lima conta como López a retirou de um bordel de Paris e a levou para Assunção, a contra gosto dos pais do futuro presidente paraguaio.

As tramoias da guerra também são bem contadas e os ciúmes entre os chefes das nações que compunham a Tríplice Aliança expostas. Também ficam explicitas a má vontade de chefes militares, como Tamandaré e Caxias, que deu como encerrada a guerra quando a capital paraguaia foi tomada. D. Pedro II queria Solano López vivo ou morto. O encarregado dessa última e desnecessária fase do conflito foi o genro do Imperador, Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, o Conde D’Eu, marido da Princesa Isabel.

O conde D’Eu, em pintura de Carl Steffeck, foi considerado um comandante sanguinário (Reprodução internet)

O conde representa o lado sombrio da força, por ter mandado executar centenas de pessoas. Ontem, quando cheguei nesta parte do livro, tive que parar para tomar fôlego. O autor narra: Ao ver o cadáver do general Mena Barreto, “Gastão d’Orleans foi tomado por um surto que chegou a amedrontar seus próprio comandados. Sua primeira reação foi a paralisia. Depois deu vazão ao puro ódio. Determinou que Caballero [general paraguaio já rendido] fosse amarrado pelas mãos e pelos pés às rodas de dois canhões, suspenso no ar, e açoitado até declarar diante das tropas e de sua própria esposa, que se submetia à autoridade imperial. após momentos intermináveis de castigo, quando já havia ficado claro que o militar paraguaio não cederia, o conde determinou que lhe decepassem a cabeça”.  Naquele mesmo dia foram executados 900 prisioneiros, muitos deles adolescentes. Todos foram degolados.

Recomendo o livro para quem quiser conhecer um pouco mais da nossa história.