13 de junho de 2020

Meu Santo Antoninho

Por José Carlos Sá

Minha predileção e devoção a Santo Antônio começou na infância, quando eu ouvia as histórias sobre o santo: Aquela que ele pregava um sermão para os peixes, já que as pessoas não queriam ouvi-lo ou em outra em que ele se desdobrou em dois: enquanto um Antônio celebrava a missa, o outro ia defender o pai em um julgamento (daí se diz quando se vê uma pessoa que está apressada: “parece Santo Antônio indo tirar o pai da forca!”).

No arraial de Santo Antônio, há sete anos, os “kits pega-marido”. A indústria fomentando a crença ou vice-versa (Foto JCarlos 14062013)

Também aprendi que Santo Antônio ajuda a encontrar objetos perdidos e a casar solteiros já desenganados. Sobre esta característica de santo casamenteiro eu sempre associava à festa junina, quando as pessoas pulavam as fogueiras e se tornavam “namoradas, noivas e compadres de fogueira”. Bem mais tarde entendo que havia até uma “indústria” fomentando essa crença.

Ao chegar a Porto Velho em 1986, procurando conhecer as histórias da região, soube da antiga cidade de Santo Antônio do Alto Madeira, que ficava no extremo do Estado do Mato Grosso. Fiz algumas incursões ao local com o amigo Edwaldo Viecili em busca dos sinais do que sobrou da comarca. Durante os estudos para implantação dasuzina de Santo Antônio, finalmente vi os escombros. O livro do Júlio Olivar, A cidade que não existe mais, ensinou-me o que eu tinha sede de saber.

Igreja de N. S das Necessidades, em Santo Antônio d Lisboa (Foto JCarlos)

Em 2012 “descobrimos” em Florianópolis o distrito de Santo Antônio de Lisboa, um local tranquilo, bonito e com muitas referências históricas. É mais um laço afetivo meu com Santo Antônio.

Capela de Santo Antônio, na antiga vila do mesmo nome (Foto Marcela Ximenes 03122017)

Hoje bateu uma saudade da capelinha dedicada à Santo Antônio de Pádua, às margens do rio Madeira, onde eu passei muitas manhãs de domingo, com um livro no colo e os olhos nas águas revoltas do rio.