04 de junho de 2020

A vida dos doze Césares – O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

O livro é uma crônica do cotidiano íntimo dos imperadores (Foto JCarlos)

A vida dos doze Césares, de Caio Suetônio Tranquilo (Editora Martin Claret/2005) parece um livro de História, mas não é. É mais que isso. Trata-se da vida cotidiana de Roma, no auge do Império Romano, tendo como referências centrais os seus governantes Júlio César, Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Galba, Óton, Vitélio, Vespaziano, Tito e Domiciliano.

As biografias seguem um roteiro, descrevendo “os antecedentes familiares, a carreira antes de subir ao trono, atos públicos e privados, aparência, personalidade e morte”. Ao longo da vida de cada um destes imperadores aparece a ascensão e queda do Império Romano, que dominou terras em três continentes, ao redor do Mar Mediterrâneo, desde a Península Ibérica até o norte da África e Oriente Médio.

Tibério se exilou em Rodes, com vergonha da vida promíscua da esposa Júlia (Foto internet)

Para resumir, algumas idiossincrasias de três dos Césares: Júlio César era chamado de marido de todas as mulheres e mulher de todos os homens. Tibério estava exilado na Ilha de Rodes, segundo alguns historiadores, por vergonha das escapadas da esposa Julia e certa ocasião recebeu a visita de um vidente, com quem saiu a passear e a ouvir as profecias. Não gostando do que ouvia, empurrou o  adivinho em um penhasco. Já Nero, tendo ficado com inveja da beleza de outro homem, mandou castrá-lo e o tomou como amante.

A crônica do cotidiano vai até este nível e não fica difícil entender a decadência dos costumes e da sociedade romana, acelerada pelas guerras contra os bárbaros e a crise econômica, além do crescimento do cristianismo.