A paciência a que vou me referir agora não tem a ver – em parte – com o post anterior (Diálogos insólitos), mas com a paciência resignação, do latim patientĭa.
Fizemos uma compra no site da Adidas no dia 28 de abril com o prazo de entrega para o dia 19 maio e a certeza de que receberíamos antes, como nas compras anteriores.
De posse do número de rastreamento, começamos a acompanhar os passos tartarugais da nossa compra. No dia 15/05 a mensagem esperada foi registrada: Objeto saiu para entrega ao destinatário. No entanto, a rua em que moramos não tem entrega domiciliar e “eles” sabem disso. Final do dia: Tentativa de entrega não efetuada – Entrega prevista para o próximo dia útil.
Como não estávamos precisando dos objetos, a paciência agiu. No dia 23 o objeto se movimentou de novo, para ser entregue em casa. Final do dia, a mensagem que já esperávamos: Tentativa de entrega não efetuada. A paciência começou a escapar. Na segunda-feira (25), consultamos novamente o rastreamento e para nossa surpresa a mensagem informava descaradamente que o carteiro não foi atendido no domingo.
E quando teve entrega de encomenda aos domingos? Nem depois das greves!
A paciência fugiu e fui até a Agência Floresta e expliquei à atendente que estava achando estranha aquela situação. Ela consultou o oráculo, digo, o sistema, e franziu o sobrolho atrás da máscara anti-coronavírus.
– É, está mesmo estranho. Esta encomenda deveria estar aqui há duas semanas…
– O que a senhora sugere que eu faça, ligue para a Ouvidoria?
– [Silêncio]
– Ou vou à Central de Distribuição?
– O senhor sabe onde é? Então é melhor ir lá, mas só abre à tarde.
Voltei para casa, consultei o rastreio e continuava igual. Depois do almoço segui para a Central de Distribuição. Depois que fui atendido, ainda ouvi:
– Já estava para ser devolvido.
Tive a vontade de dizer: “Sei. Devolvido para quem, cara-pálida?”.
É ruim desconfiar, mas acho que o pacote ia “se extraviar”.


